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Criadores de Os Outros, do Globoplay, dizem que intolerância está alastrada

Terceira temporada de Os Outros expande a intolerância para o interior, mantendo tensão, ambiguidade e conflitos entre vizinhos que elevam a violência na trama

A diretora Luisa Lima e o roteirista Lucas Paraizo
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  • A terceira temporada de Os Outros, série do Globoplay, parte da ideia de que a intolerância está alastrada, now mudando de cenário para o interior para ampliar a percepção sobre esse tema.
  • O roteiroista Lucas Paraizo e a diretora Luisa Lima explicam que, mesmo com planos abertos, a temporada mantém a mesma poética de sufocamento, enfatizando conflitos entre vizinhos a partir de Domingas e Roberto.
  • A dupla comenta que a temporada busca equilíbrio entre experimentação de linguagem e narrativa, respondendo a críticas da segunda temporada sobre ritmo.
  • A relação entre maternidade e violência é explorada pela personagem Cibele (Adriana Esteves); a história passa a mostrar a relação com o filho, com foco no cuidado de Marcinho.
  • Os criadores dizem que a série não oferece respostas prontas, incentivando o público a construir a interpretação e analisando a polarização sem julgamentos.

A nova temporada de Os Outros, criada pelo Globoplay, chega com a continuidade do eixo temático: a intolerância que se espalha pela sociedade. Em entrevista à VEJA, o roteirista Lucas Paraizo e a diretora Luisa Lima comentam os caminhos da terceira etapa da série, estrelada por Adriana Esteves.

A ambientação migra do interior urbano para cenários rurais, mantendo o foco em relações humanas tensas. Os criadores explicam que a ideia é ampliar a percepção do conflito entre vizinhos e a precariedade da comunicação. A narrativa segue o conceito de que o inferno são os outros.

A dupla ressalta que, apesar das mudanças de espaço, a assinatura estética inclui o uso de flashbacks para estruturar a história e manter a tensão dramática. A produção segue a parceria entre GloboTV e Globoplay, com foco em temas sociais atuais.

Novo cenário, velhas tensões

Luisa Lima explica que a atmosfera sufocante permanece, mesmo em planos abertos. A produção destaca a cooptação de espaços rurais, com fronteiras menos definidas entre terrenos, onde vizinhos podem cruzar limites. O campo vira terreno fértil para a violência gradual.

Lucas Paraizo acrescenta que a recepção da segunda temporada influenciou a construção da terceira. O roteiro busca equilíbrio entre experimentação e narrativa, mantendo o formato que marcou a estreia e respeitando o público.

Trama e personagens centrais

A personagem Cibele, interpretada por Adriana Esteves, inicia como dona de casa dedicada, cuja proteção ao filho culmina em violência. A direção pretende explorar a maternidade além dos clichês, mostrando vulnerabilidade humana sob pressão familiar.

Luisa Lima ressalta a mitologia grega como referência para a trajetória da mulher na série, destacando a complexidade da maternidade e o papel do filho no equilíbrio emocional.

Polarização social em foco

Os criadores afirmam que a obra aborda a polarização brasileira sem julgamentos, examinando ações de diferentes agentes sociais. O objetivo é provocar reflexão sem oferecer respostas morais definitivas.

Ambos destacam que o público assume participação ativa, construindo interpretações a partir das situações apresentadas. O objetivo é estimular observação crítica sobre convivência e limites.

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