- A Cinematèque française, em Paris, apresenta a exposição Marilyn Monroe: 100 anos, revisitando a carreira da atriz entre 1946 e 1962 para 100 anos de seu nascimento.
- A mostra reúne figurinos, filmes e arquivos raros, destacando lutas contra contratos abusivos, censura e misoginia na era de ouro de Hollywood.
- O objetivo é compreender que tipo de estrela Marilyn foi de fato, indo além do mito e do culto popular.
- A curadora Florence Tissot ressalta a tensão entre a imagem de glamour e a subestimação de seu talento como atriz, bem como o peso dos bastidores.
- A exposição fica em cartaz em Paris até 26 de julho de 2026.
A Cinemateca de Paris abre, em 2026, a mostra Marilyn Monroe: 100 anos, revisitando a carreira da atriz entre 1946 e 1962. A exposição reúne figurinos, filmes e arquivos raros, mostrando como Monroe enfrentou contratos abusivos, censura e misoginia em Hollywood.
A curadoria propõe uma leitura não idolatrista da atriz, buscando entender que tipo de estrela ela foi dentro do sistema de estúdios. A mostra discute ainda o legado de Monroe como mito da cultura do século 20.
A produção exibe a trajetória de Norma Jean Baker antes da fama, com imagens de pin-up em uma fábrica ligada à indústria aeronáutica. A curadora enfatiza a hipocrisia de uma era que misturava puritanismo e erotização.
Contexto: cinema, censura e o modelo de Hollywood
O período mostra o Código Hays, que impunha regras morais aos filmes desde 1934. Esse arcabouço moldou a imagem da loira sedutora, associada a inteligência limitada, mesmo quando Monroe era estudiosa e disciplinada.
Monroe buscou formação constante, estudando canto, dança e interpretação antes de ingressar no Actor’s Studio. A curadora destaca que a atriz queria ser reconhecida pela qualidade do seu trabalho, não apenas pela aparência.
Em filmes como Quando a Cidade Dorme e A Malvada, Monroe aparece pouco, mas com presença marcante. Críticos destacam que, mesmo em cenas breves, ela exprime medo, raiva, sedução e vulnerabilidade.
A exposição contrapõe a imagem pública à percepção profissional da atriz, mostrando uma carreira marcada por contratos leoninos e disputas salariais.
Contratos, autonomia e resistência
Em 1953 Monroe recebia salário desigual em relação a colegas, sob contratos de exclusividade que limitavam escolhas. A mostra destaca a tentativa de renegociar, bem como a criação de uma produtora para ampliar autonomia.
Mesmo com vitórias parciais, Monroe não alcançou total independência, o que provocou retratação na crítica e na imprensa de então, que associavam sua imagem a traços de instabilidade.
A cena da saia levantada no filme O Pecado Mora ao Lado, de 1954, tornou-se símbolo de transgressão e do conflito entre liberdade de expressão e punição moral. A curadoria utiliza esse recurso para discutir o ritmo entre afirmação e censura.
Do mito à dispersão de arquivos
Nos anos finais, filmes como Quanto Mais Quente Melhor e Os Desajustados enfatizam vulnerabilidade. A morte em 5 de agosto de 1962, aos 36 anos, consolidou o mito e acelerou a gestão de seu legado.
A curadora aponta que o acesso aos pertences de Monroe é limitado, com itens dispersos em coleções privadas. A exposição busca situar Monroe como sujeito histórico e atriz trabalhadora, não apenas como símbolo de glamour.
A mostra permanece em cartaz em Paris até 26 de julho de 2026, oferecendo uma leitura atualizada sobre como Hollywood moldou e descartou suas estrelas.
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