- A Belarus Free Theatre estreia como exposição collateral oficial na 61ª Bienal de Veneza, com a mostra “Official. Unofficial. Belarus.” na La Chiesa di San Giovanni Evangelista di Venezia.
- Em exílio desde 2020, o grupo aborda como a arte é feita, censurada e experimentada sob poder autoritário e vigilância, sem apoio do governo bielorrusso.
- É a quinta vez que a Bielorrússia participa da Bienal, pela primeira vez fora de um pavilion estatal, representando uma estrutura cultural autônoma.
- A montagem combina pinturas site-specific, uma instalação sonora e esculturas em grande escala para transmitir a sensação da repressão de forma multissensorial.
- O projeto defende que a cultura independente da Bielorrússia tenha voz no espaço internacional, além de discutir autoria, visibilidade e narrativas políticas.
A Belarus Free Theatre fará sua primeira participação collateral oficial na Bienal de Veneza, com a exposição Official. Unofficial. Belarus., que aborda como a arte é produzida, censurada e vivida sob regimes autoritários e vigilância constante. A mostra ocorre no contexto da Bienal, que neste ano recebe perguntas sobre representações nacionais.
A sede é La Chiesa di San Giovanni Evangelista di Venezia, um edifício com mais de mil anos de história. A produção reúne pinturas site-specific, uma instalação sonora e esculturas em grande escala, concebidas para mostrar o peso da repressão na experiência corporal do visitante.
A curadora de projetos artísticos, Daniella Kaliada, descreve a iniciativa como a voz de uma cultura não oficial, distanciada de pavilhões estatais. A cofundadora Natalia Kaliada enfatiza que o objetivo é permitir que o visitante atravesse o ambiente, experimentando arquitetura, som, cheiro e sombra que acompanham o tema.
O projeto é apresentado como uma crítica à lógica de pavilhões nacionais que representam governos. A dupla ressalta que a Belarus Free Theatre atua há anos em exílio e que a exposição não tem ligação com o governo bielorrusso, mas com artistas que enfrentam prisão, exílio e, em alguns casos, morte por sua arte.
A equipe afirma que o exílio esclarece o que precisa ser protegido, ampliando o conceito de repressão para além da imagem. Elementos multisensoriais ajudam a transmitir a experiência de controle, vigilância e ritual, indo além de uma simples narrativa.
Os organizadores ressaltam que a participação não pretende oferecer apenas uma visão de Belarus, mas discutir como a representação de nações funciona na Bienal. O objetivo é inserir narrativas independentes no espaço público de uma das plataformas artísticas mais visíveis do mundo.
A dupla também comenta o cenário atual, em que governos cada vez mais autoritários ganham espaço em várias partes do globo. Nesse contexto, a mostra é vista como ponto de referência para debates sobre visibilidade, legitimidade cultural e autoria, sem apoiar narrativas oficiais.
Questionamentos sobre o papel da Belarus na Bienal e a possibilidade de retorno oficial do país são mencionados como parte do desafio de ampliar o espaço para vozes não oficiais. A exposição segue como uma janela para entender a relação entre Estado, cultura e expressão artística.
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