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Debate racial fora da bolha brasileira é considerado complexo

Grada Kilomba defende posicionamento artístico sem rótulos e debate raça fora da bolha; obra O Barco, em Inhotim, dialoga com colonialismo e memória

A artista portuguesa Grada Kilomba durante a inauguração de sua obra "O Barco" em Brumadinho (MG), em 2024. (Foto: André Borges/EFE)
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  • Grada Kilomba, artista portuguesa, é tema de debate no podcast Mano a Mano, com participação de Mano Brown, refletindo sobre racismo, colonialismo e identidade fora da bolha brasileira.
  • Ela defende posicionamentos abertos e resiste a rótulos, dizendo que, hoje, artistas podem experimentar maneiras diversas de se relacionar com raça e biografia, sem se prender a etiquetas.
  • A conversa aborda a ideia de “trauma racial” e a dificuldade de falar sobre raça em certo momento, destacando mudanças de vocabulário e de posicionamento ao longo das décadas.
  • Kilomba questiona a forma como a imprensa rotula pessoas negras, chamando atenção para a objetificação e a necessidade de reconhecer a humanidade além de adjetivos.
  • No Brasil, a pesquisadora é frequentemente associada à leitura de raça, colonialismo e identidade, mas sua prática também investiga linguagem, memória e produção do conhecimento, com atuação destacada pela obra O Barco, instalada no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG).

Recentemente, um papo no podcast Mano a Mano reuniu Grada Kilomba, psicóloga, artista e pensadora portuguesa, e Mano Brown. A entrevista mergulha em temas de raça, colonialismo e identidade, com foco fora das bolhas brasileiras.

Kilomba discute a complexidade de falar sobre raça hoje. Ela afirma que não precisa se posicionar como artista da diáspora e rejeita rótulos. Em vez disso, defende liberdade de escolha na forma de expressão artística.

A artista, radicada em Berlim, utiliza psicologia, literatura e artes visuais para investigar como o racismo molda subjetividade e memória. Entre seus trabalhos, destaca-se Plantation Memories e projetos performáticos.

Ela aponta mudança na linguagem ao longo das décadas: dos movimentos de reivindicação aos debates atuais, com novos formatos de identificação e menos dependência de categorias rígidas. Questiona a representatividade em entrevistas e manchetes.

Kilomba também critica o uso de adjetivos como referência humana. Em sua visão, a forma de apresentá-la deveria focalizar a obra e a prática, não a etnia ou o rótulo de artista negra.

O tema se ancora no debate sobre decolonialismo e a diferença entre realidades do Brasil, Portugal e Estados Unidos. A entrevista enfatiza que cada país tem história e relações distintas com racismo e mobilidade social.

A obra O Barco, instalada no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), funciona como interseção entre escultura, performance e poesia. A instalação utiliza blocos de madeira para remeter a um navio negreiro, de forma abstrata.

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