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Nanini e Weber encenam a vida diante da tragédia em espetáculo

Beckett em São Paulo: quatro sobreviventes veem a claustrofobia de um mundo pós‑hecatombe e a repetição de velhas perguntas

Guilherme Weber e Marco Nanini na peça 'Fim de Partida' - Fernando Young/Divulgação
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  • Espetáculo Fim de Partida, de Samuel Beckett, em cartaz no Teatro Paulo Autran, Sesc Pinheiros, em São Paulo, com Marco Nanini e Guilherme Weber (Hamm e Clov).
  • Direção de Rodrigo Portella; elenco também traz Helena Ignez e Ary França, interpretando Nell e Nagg.
  • A peça acompanha quatro sobreviventes em um abrigo de madeira diante de uma devastação que dizimou a natureza.
  • Beckett, Nobel de Literatura, escreveu a obra em mil novecentos cinquenta e sete, explorando ruínas, repetição e o vazio humano.
  • A encenação busca aproximar o texto do público, destacando as relações de poder entre Hamm e Clov e o questionamento sobre vida após a tragédia.

O espetáculo Fim de Partida, de Samuel Beckett, ganha temporada em São Paulo com Marco Nanini no papel de Hamm e Guilherme Weber como Clov. A montagem é dirigida por Rodrigo Portella e está em cartaz no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros. A peça, de 1957, chega aos palcos brasileiros em língua portuguesa, mantendo a essência minimalista do autor.

A trama acompanha quatro sobreviventes confinados em um abrigo de madeira, em que Hamm guia Clov, seu aprendiz. Nell e Nagg, pairando em latas, também integram o grupo. A narrativa explora um mundo devastado pela tragédia e pela devastação ambiental, em tom claustrofóbico.

A encenação atualiza o cenário para o contexto contemporâneo, sem abandonar o silêncio poético de Beckett. Portella buscou um sabor mais direto para aproximar o público da linguagem do dramaturgo irlandês, marcando a primeira colaboração de Nanini com um texto beckettiano.

No elenco, além de Nanini e Weber, integram Helena Ignez e Ary França, como Nell e Nagg. A produção enfatiza a repetição e a fragilidade humana diante de uma desordem que parece irredutível. O abrigo funciona como microcosmo da sociedade.

Beckett é reconhecido por inovar a linguagem teatral ao propor obras abstratas e minimalistas. A peça questiona a possibilidade de vida após a catástrofe, em um enredo que mistura humor ácido, desespero e resistência.

O diretor explicou que a montagem busca reduzir barreiras interpretativas, permitindo que o público se conecte diretamente com o texto. A obra permanece, segundo ele, como um objeto de reflexão sobre as ruínas da humanidade.

A encenação no Sesc Pinheiros propõe ainda um circuito de diálogo entre o passado de Beckett e as situações contemporâneas de polarização social. O público acompanha a trajetória de personagens que resistem, mesmo em condições extremas, à opressão e à espera interminável.

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