- O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, é um épico de 3h30 que reúne personagens de Portugal, Brasil e Guiné-Bissau, em torno de um triângulo amoroso durante a construção de uma rodovia.
- O filme recebeu o prêmio de melhor atuação feminina na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2025.
- A trama acompanha o engenheiro ambiental Sérgio, o brasileiro Gui e a personagem Diara, que une raízes guineenses e cabo-verdianas, em uma história sobre colonialismo e libertação.
- A distribuição no Brasil é pela Vitrine Filmes, com estreia recente no circuito exibidor brasileiro.
- O diretor enfatiza que o filme reflete contradições entre países lusófonos, a ligação pela língua e a herança histórica da colonização, além de discutir neocolonialismo e possibilidade de emancipação.
O filme O Riso e a Faca, dirigido pelo português Pedro Pinho, é um épico de 3 horas e meia que investiga o colonialismo e a libertação. O enredo acompanha Sérgio, engenheiro ambiental português, em uma missão na Guiné-Bissau para viabilizar a construção de uma rodovia, dialogando com dois moradores locais, Gui, brasileiro, e Diara, de origem guineense e cabo-verdiana. O filme premiado em Cannes 2025 encontra agora espaço no circuito brasileiro, pela distribuição da Vitrine Filmes.
O longa sobressai pela fusão de personagens de diferentes laços coloniais, conectando Portugal, Brasil e Guiné-Bissau. A narrativa evidencia como a língua, a arte e os laços afetivos moldam uma convivência possível, mesmo diante de contradições históricas de domínio e resistência. A obra é descrita pelo diretor como uma reflexão sobre neocolonialismo e sobre as possibilidades de emancipação.
Contexto criativo e influências
A produção é inspirada pela música brasileira, especialmente pela obra de Tom Zé, cuja influência permeia a dramaturgia e cenas-chave, como momentos de encontro em carro a caminho da praia. A escolha da trilha reforça o entrelaçamento entre as culturas lusófonas e a importância cultural do Brasil para o processo criativo de Pinho.
Pinho destaca que a conexão entre Portugal, Brasil e Guiné-Bissau já existe pela comum herança linguística, ainda que enraizada em um passado violento. O filme mostra um português, um brasileiro e Diara, cuja fala em crioulo transita entre sotaques guineense e cabo-verdiano, refletindo a história de uma região que foi uma só nação até 1981. O objetivo é denunciar o neocolonialismo ao tempo presente e evidenciar movimentos de libertação.
A obra também aborda as dinâmicas de identidade que emergem no contato com a África. Em entrevistas, o cineasta descreve observações sobre a visão que brasileiros projetam sobre si no exterior e como a identidade é revisitada pela guineense Diara, que representa o cruzamento entre países lusófonos. O filme, segundo o realizador, não busca soluções fáceis, mas a complexidade das relações entre lembranças, linguagem e território.
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