- O filme “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, acompanha um português, Sérgio, que viaja para Bissau para preparar um relatório sobre a construção de uma estrada e se envolve com moradores locais.
- Guilherme, interpretado por Jonathan Guilherme, confronta Sérgio em questões sexual, colonial e racial, estimulando o elenco e os conflitos no enredo.
- Cleo Diárá atua como Diára, personagem carismática que disputa o protagonismo com Sérgio, especialmente em momentos de debate moral.
- O longa alterna entre momentos de forte musicalidade e cenas com câmera em movimento, apresentando tanto tom documental sobre os costumes da região quanto falhas de ritmo em alguns trechos.
- A produção, com duração de aproximadamente três horas e meia, está em cartaz na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e já é comparada a trabalhos anteriores de Pinho, incluindo “Fábrica de Nada” (2017).
O novo filme de Pedro Pinho, O Riso e a Faca, chega ao circuito comercial de São Paulo com uma pegada que mistura ficção e observação documental. A história acompanha Sérgio, um português que viaja a Bissau para registrar a construção de uma estrada e acaba encurralado por choques de costumes locais e dilemas éticos.
A produção reúne elenco internacional, com Sérgio Coragem no papel-título e Cleo Diára como Diára, uma personagem carismática que contrasta com o funcionamento de Sérgio. A narrativa se desenrola a partir de encontros na Guiné-Bissau durante a década de 2020.
A obra transita entre tom investigativo e dramatização, explorando questões de colonialismo, sexualidade e raça. Guilherme, interpretrado por Jonathan Guilherme, surge como figura-chave que desafia o protagonista em debates morais, políticos e sociais.
Parte do filme adota uma leitura documental, centrada em costumes e rituais da região, servindo como refúgio para a tensão do protagonista e, ao mesmo tempo, ampliando o olhar sobre a vida local. O elenco tem atuação marcada pela escolha precisa de cada cena.
A direção de Pinho se destaca pela liberdade formal, com variações de tom e humor ao longo de três horas e meia. Em alguns momentos, a câmera aproxima-se de rostos e corpos, gerando ritmo intenso em cenas festivas ou sensuais.
Por outro lado, o filme exibe falhas na construção de síntese, lembrando trabalhos anteriores do diretor. Em determinadas sequências, a montagem parece apressada, quebrando o fluxo e gerando situações de desperdício narrativo.
Em relação ao contexto crítico, O Riso e a Faca chega ao 49º festival de cinema de São Paulo, com debates sobre as possibilidades de um cinema autoral que dialoga com a cultura brasileira e com o cinema europeu. A produção é marcada pela fusão de estilos e pela ambição de ampliar a linguagem cinematográfica.
O resultado é um mastodonte irregular, porém dotado de talento, que divide momentos de grande força estética de outros de maior descompasso. A expectativa é que o próximo filme de Pinho confirme ou reavalie esse percurso autoral.
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