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Ruy Guerra, aos 94, revela engajamento com o Brasil complexo e paradoxal

Desfecho da trilogia de Ruy Guerra, aos noventa e quatro anos, A Fúria une experimentação cinematográfica e crítica social para registrar o Brasil sob pressão política

Extraordinário ‘A Fúria’ mostra Ruy Guerra, aos 94, engajado com o complexo e paradoxal Brasil
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  • Extraordinário A Fúria é o desfecho da trilogia iniciada nos anos sessenta por Ruy Guerra, integrante do Cinema Novo, que acompanha a construção do Brasil ao longo de décadas.
  • A obra segue Mário, que passa de soldado a trabalhador da construção e, no fim, busca vingança contra o sogro Salatiel, um empresário poderoso que manipula políticos e generais.
  • A linguagem do conjunto evolui: Os Fuzis é em preto e branco com fotografia marcante; A Queda usa cor para a cidade em expansão; A Fúria recorre a um estúdio com expressionismo e aspectos oníricos.
  • O filme aborda temas como miséria rural, concentração de capital e uma democracia ameaçada por interesses econômicos, religiosos e militares, mantendo tom crítico e social.
  • A Fúria foi apresentado publicamente no Festival de Brasília de 2024, recebendo ovation e consolidando a visão de Guerra sobre o poder e a cultura no Brasil.

Extraordinário ‘A Fúria’ encerra a trilogia de Ruy Guerra, iniciada nos anos 1960, e traz o cineasta aos 94 anos engajado na análise do Brasil contemporâneo. O filme conclui uma leitura de décadas de história, sob a lente de um projeto estético que alia inovação cinematográfica a crítica social permanente.

A obra reúne a trajetória de Mário, personagem central da trilogia, interpretado por Nelson Xavier nos dois primeiros títulos e por Ricardo Blat no terceiro. Salatiel, empresário poderoso, é vivido por Lima Duarte, cuja influência sobre políticos e generais impulsiona a trama. O enredo cruza passado e presente para discutir democracia, poder e corrupção.

Contexto e produção

Situado no interior de um Brasil em mudança, o filme remete ao sertão baiano de Milagres em Os Fuzis, e ao Rio de Janeiro urbano de A Queda, explorando a evolução de linguagem ao longo da trilogia. Em A Fúria, Guerra adota recursos de estúdio e uma estética mais expressiva, com foco em rostos e tensions dramáticos.

Desenvolvido por Ruy Guerra com Luciana Mazzotti, o roteiro teve contribuições de jovens cineastas, entre eles Pedro Freire e Leandro Saraiva. O texto busca retratar a conjuntura atual por meio de uma perspectiva histórica, sem omitir a presença de símbolos de poder e religiosidade popular.

Recepção e destaque

A estreia pública ocorreu no Festival de Brasília de 2024, onde Guerra recebeu ovacionamento ao apresentar o desfecho da trilogia. A produção foi apresentada como uma leitura crítica da história brasileira, conectando passados determinantes a cenários contemporâneos. O resultado é descrito como intenso e contundente, sem abrir mão da clareza documental.

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