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Exit 8 aposta na fidelidade ao jogo para criar experiência claustrofóbica

Exit 8 aposta na fidelidade ao game para gerar tensão claustrofóbica, transformando repetições de cenários em metáfora de ansiedade e alienação

Cena do filme 'Exit 8', de Genki Kawamura
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  • O filme japonês Exit 8 estreou em mostra paralela do festival de Cannes, dirigido por Genki Kawamura e inspirado em um jogo online que virou fenômeno.
  • A história acompanha um homem que, ao receber a notícia da gravidez da ex, desce para o metrô e fica perdido em um conjunto de corredores repetidos, buscando a misteriosa “saída 8”.
  • A cada passagem pelo mesmo espaço, ele confronta anomalias — pequenas alterações em cartazes, placas ou iluminação — e precisa recuar ou seguir adiante conforme as instruções das paredes.
  • O longa mantém a fidelidade à mecânica do jogo, usando repetição como ferramenta narrativa e convidando o espectador a participar do jogo mental contra a paranoia crescente.
  • A produção combina uma leitura psicológica com metáforas sobre ansiedade e alienação urbana, recebendo elogios pela ousadia e críticas pela possível previsibilidade para quem não conhece o jogo.

O filme japonês Exit 8 estreia em Cannes, em uma mostra paralela, e discute a tensão psicológica a partir de uma narrativa que bebe diretamente dos videogames. Adaptando um jogo cult online, a obra mantém a essência competitiva: repetição, observação e desconforto frente ao banal.

A história acompanha um homem que recebe a notícia de que a ex-namorada está grávida. Ao descer no metrô, ele perde contato com ela quando o sinal falha e percebe que caminha por um espaço estranho, sempre retornando aos mesmos corredores subterrâneos.

Em cada passagem repetida, ele encontra um homem que caminha sem pressa. Ao confrontá-lo, recebe apenas silêncio. then surgem instruções nas paredes: anteontem, há uma regra para recuar ao detectar anomalias, caso contrário, seguir em frente até a suposta saída oito.

As anomalias são alterações mínimas: cartazes mudos, placas de orientação ou iluminação diferente. A cada desvio perceptível, a narrativa se intensifica, mantendo o foco na mecânica do jogo e na busca pela saída. A ideia é transformar a repetição em linguagem fílmica.

Visualmente, Exit 8 aposta em planos simétricos e em uma câmera que quase não se afasta do protagonista, reforçando a sensação de aprisionamento. A trilha sonora é contida, frequentemente apenas o som dos passos, ampliando o desconforto.

Recepção crítica e leitura temática

Ao estrear, o filme dividiu críticos em Cannes. Alguns elogiaram a ousadia formal e a fidelidade ao conceito original, destacando a tensão criada pela repetição. Outros questionaram se a proposta funciona como longa fechado, fora da lógica dos jogos.

A depender da leitura, Exit 8 pode ser visto como uma experiência sensorial mais que uma narrativa tradicional. A fidelidade ao jogo evita explicações e subtramas, privilegiando a atmosfera de paranoia crescente.

Ainda que arrisque ser previsível para quem não conhece o material de origem, a obra converge para uma leitura que enfatiza o aspecto metafórico: o corredor seria uma metáfora para ansiedade, ciclos de pensamento obsessivo e a alienação da vida urbana contemporânea.

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