- O documentário Zico, o Samurai de Quintino, dirigido por João Wainer, acompanha Zico sem enfatizar depoimentos formais, buscando revelar o espírito do jogador.
- O filme parte de um acervo pessoal encontrado na casa de Zico, catalogado por museólogos, que inclui fitas, troféus, camisas e anotações da carreira.
- Técnicamente, houve upscale de arquivo em SD para 4K e regravação de som da torcida Raça Rubro-Negra em canais diferentes, tornando o áudio mais imersivo.
- Zico não esperava ver sua imagem em cinema; as filmagens começaram em 2023, quando ele completou setenta anos, e o diretor priorizou conversas naturais no ambiente com o acervo.
- A narrativa não linear valoriza o flow e a experiência do espectador, incluindo a passagem pelo Japão em 1991, destacando o contexto emocional sobre o pênalti perdido de 1986 e a ideia de que o filme propõe uma conclusão pelo público, não pela voz de terceiros.
O documentário sobre Zico, intitulado Zico, o Samurai de Quintino, chega aos cinemas brasileiros sob a direção de João Wainer. O projeto nasceu de uma filmagem iniciada sem pretensão de cinema e ganhou corpo ao longo de anos, com acesso a um acervo pessoal inédito do jogador. O objetivo é apresentar Zico como um dos maiores nomes do futebol sem depender de elogios explícitos na tela.
A produção acompanha bastidores e encontros entre Zico e amigos, mas não segue um formato convencional de entrevista. Em vez disso, o filme valoriza conversas informais em uma sala de estar criada para as filmagens, com material do acervo catalogado por museólogos contratados pela equipe.
A história revela uma descoberta surpreendente: caixas com fitas VHS, filmes, troféus e anotações de gols, organizados principalmente por Sandra, mulher de Zico. O acervo foi apresentado à equipe apenas durante as primeiras visitas à casa do jogador, mudando a percepção sobre o que seria feito.
Um acervo que ninguém sabia que existia
A sala de filmagem foi montada com itens do acervo de Zico, incluindo camisas históricas. Cenários foram pensados para favorecer uma narrativa fluida, com elementos que acionassem memórias sem entrevistas formais à câmera.
A equipe contratou museólogos para organizar cada peça, preservando o espírito do acervo. A montagem do ambiente permitiu que o visitante entre no universo pessoal do jogador sem pular etapas.
A produção também contou com um cuidado especial na iluminação e nos objetos expostos, reforçando a sensação de imersão na trajetória de Zico fora dos estágios convencionais do futebol.
A imagem que você nunca viu do Zico nos anos 1980
Tecnicamente, o filme investe em upscaling de imagens de arquivo para 4K, elevando a qualidade de cenas históricas. O resultado aproxima os torcedores de momentos clássicos, como cobranças de falta no Maracanã, com definição próxima à de gravações recentes.
O áudio recebe tratamento específico: o design sonoro reuniu a torcida da Raça Rubro-Negra para regravar cantos e instrumentos em canais separados, proporcionando uma experiência imersiva no cinema.
Essa abordagem busca transformar o material de arquivo em uma experiência sensorial completa, sem depender de entrevistas explícitas para justificar a narrativa.
Zico não sabia que estava fazendo um filme de cinema
As primeiras conversas sobre o projeto ocorreram há seis anos, com interrupções pela pandemia. As filmagens principais ocorreram em 2023, quando Zico completou 70 anos, sem que houvesse a intenção inicial de chegar às telas grandes.
O documentário aborda o passado de forma orgânica, com conversas que parecem encontros entre amigos revisitando memórias. O diretor afirma que o fluxo da narrativa, em vez da cronologia, sustenta o filme.
O resultado propõe que o público tire suas próprias conclusões sobre a figura de Zico, sem depoimentos formais que imponham uma visão única.
Por que não tem mais cinema de futebol no Brasil?
Zico aponta a carência de memória histórica no esporte brasileiro como uma das causas da ausência de filmes de futebol de grande porte. O documentário busca oferecer uma visão mais ampla da trajetória do jogador, além de explorar possibilidades do formato documental.
Wainer aponta que o cinema esportivo brasileiro ainda trabalha com estruturas históricas simples. Ele defende uma linguagem que crie antagonistas e protagonismo, indo além de retratos estáticos.
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