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Abbas Akhavan transforma o Pavilhão do Canadá em estufa e desafia preconceitos

Canada Pavilion vira estufa com tanque de água de 6.000 galões e lírios d'água Victoria, que crescem, florescem e morrem ao longo da Bienal

Installation view of "Abbas Akhavan: Entre chien et loup," 2026, Canada Pavilion, at the 2026 Venice Biennale. Commissioned by the National Gallery of Canada and presented in partnership with the National Gallery of Canada Foundation and the Canada Council for the Arts.
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  • O artista Abbas Akhavan transformou o Pavilhão do Canadá na Bienal de Veneza em uma estufa real, para a apresentação Entre chien et loup, com várias alterações no edifício.
  • O espaço ganhou iluminação de cultivo, nebulizadores, um novo sistema de ventilação e um tanque de água de seis mil galões que ocupa mais da metade da planta, pesando cerca de vinte e cinco toneladas.
  • No interior, um lago abriga as gigantescas Victoria water lilies, que vão crescer, florescer e morrer ao longo da mostra, acompanhando seu ciclo de vida.
  • A produção é resultado de colaboração com os jardins botânicos de Kew e com o Orto Botanico di Padova, além de arquitetos e engenheiros para adaptar o pavilhão sem prejudicar a árvore central.
  • O título sugere “entre cão e lobo”; Akhavan afirma que não busca leitura anticolonial, mas que a experiência convida o público a observar objetos sob herança histórica e desfazer preconceitos.

O canadense Abbas Akhavan transformou o Pavilhão do Canadá na Bienal de Veneza 2026 em uma estufa gigante. A inauguração ocorreu sob chuva na terça-feira, com o calor e a umidade que recepcionaram os visitantes. A instalação Entre chien et loup utiliza o prédio de vidro e tijolo para abrigar um tanque de água de cerca de 22 mil litros, ocupando mais da metade do espaço.

Entre as alterações, há iluminação de cultivo, vaporizadores e um sistema de ventilação reforçado. Uma película protege o teto de madeira da umidade, e a estrutura ganhou ajustes para suportar o grande tanque de água que pesa cerca de 25 toneladas. O objetivo é criar um espaço de cultivo similar a uma Wardian case de época vitoriana.

Ao centro do ambiente, dentro de uma piscina, estão as giant Victoria aquáticas. As plantas deverão crescer, florir e morrer ao longo da mostra, seguindo seu ciclo natural. A concepção envolve uma leitura menos literal e mais sensorial, convidando o público a observar objetos elevados pela história e migração.

Transformação e significado

Akhavan explica, em vídeo antes da abertura, que já acompanha as lótias há anos e que a relação com a figura da Rainha Victoria não era o ponto de partida. O artista prefere que o público observe os objetos sob herança histórica, política e econômica, sem buscar um único discurso decolonial.

Colaboração e produção

A mostra é fruto de parceria entre o curador Kim Nguyen, a equipe do Jardim Botânico de Kew e o Orto Botanico di Padova. Junto com arquitetos e engenheiros, as equipes adaptaram o pavilhão canadense para manter a árvore central do edifício, que inspirou o conceito. Nguyen afirma que a planta aquática chegou de sementes de Kew.

Objetivo artístico

Para Akhavan, a obra não visa apenas questionar potências coloniais, mas manter a ideia de defesa da arte frente a heranças históricas. Ele enfatiza que o projeto pode provocar sensações de libertação ao olhar objetos com cuidado, sem reduzi-los a rótulos simplistas. A obra propõe uma reflexão sobre tempo, materialidade e memória.

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