- Cinemark usa brecha na Cota de Tela para exibir “Zuzubalândia – O Filme” várias vezes ao dia, com 114 sessões programadas apenas em São Paulo numa quarta-feira.
- O título estreou em setembro de 2024, ficou em cartaz até dezembro daquele ano e voltou à programação em outubro do ano passado; também está no catálogo da HBO Max.
- A rede afirma que as sessões são explicadas pelo Projeto Escola, que permite reservar salas inteiras para grupos de estudantes mediante pagamento; não detalha a ligação com a Cota de Tela.
- Conforme regulamento, o projeto vale para qualquer filme desde que haja liberação da distribuidora; há orientação interna para colocar o filme no começo do dia para cumprir metas.
- A Ancine alterou as regras da Cota de Tela para valorizar filmes premiados em festivais, incluindo as categorias de melhor ator, atriz, diretor e roteiro.
Cinemark utilizou uma brecha na Cota de Tela para exibir repetidamente o filme infantil Zuzubalândia, lançado há dois anos. Na quarta-feira, a rede programou 114 sessões do título em todo o estado de São Paulo, com grande parte entre meio-dia e 14h45. A manobra ocorre dentro do Projeto Escola, segundo a empresa.
A Cota de Tela exige que exibidores reservem parte da programação a produções nacionais. A Cinemark afirma que as sessões são parte do Projeto Escola, que permite ao poder público ou escolas reservar salas inteiras mediante pagamento. A relação entre o filme e a regra não foi detalhada pela rede.
Um gerente da Cinemark disse que a grade é sujeita à classificação indicativa, que determina a inclusão no programa. Filmes variados, incluindo produções de fora, estariam dentro do critério de adequação etária para o público escolar. Os relatos divergem sobre a finalidade exata da estratégia.
Funcionários de uma unidade da Cinemark disseram à reportagem que, internamente, a diretriz é programar o filme no início do dia para cumprir a meta da Cota de Tela. A empresa, por meio de assessoria, não respondeu se o filme está sendo usado especificamente para bater a cota.
A Cota de Tela recebe críticas por não prever faixas de horário nobre dedicadas ao cinema nacional. Segmentos da indústria apontam que a regra deveria incentivar o público às produções nacionais. A Ancine atualizou as regras para valorizar mais sessões de longas premiados em festivais.
Mudanças da Ancine e impactos
A Ancine publicou instrução normativa que passa a considerar mais pontos para a meta quando o filme recebe premiação em festivais selecionados. Além do melhor filme, passam a valer conquistas de melhor ator, atriz, diretor e roteiro, ampliando as opções para cumprir metas.
Adhemar Oliveira, dono do Espaço Petrobras de Cinema, afirma que o desafio de cumprir a meta não está no produto brasileiro, mas na estratégia de programação. Ele ressalta a qualidade do cinema nacional e a importância de manter o público atento às produções brasileiras.
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