- Ado Hasanović utiliza diários e vídeos do pai, Bekir, gravados durante a guerra na Bósnia, para criar um documentário sensível sobre memória, sobrevivência e luto herdado.
- Em mil novecentos e noventa e três, Bekir, junto com dois amigos, formou o coletivo de cinema John, Ben & Boys em Srebrenica, registrando a vida cotidiana da comunidade bosníaca e o terror que se aproximava.
- O filme mescla cenas de encontros descontraídos com sons de tiros e explosões, capturando o ambiente de crescente violência.
- Uma sequência marcante recorta o massacre de Srebrenica, sobrepondo as lembranças de Bekir a imagens de civis amarrados e executados por soldados sérvios, em contraste com o tom desumano dos perpetradores.
- O relato dialoga passado e presente para abordar trauma psicológico e físico resultante da guerra, destacando o impacto contínuo na família.
Ado Hasanović lança um documentário comovente que transforma diários e filmagens caseiras do período da guerra na Bósnia em um retrato contundente de memória, sobrevivência e luto herdado. O filme se ancora em registros feitos por Bekir, seu pai, em Srebrenica, em 1993, durante o auge do conflito.
A obra materializa um arquivo pessoal: um coletivo de cinema amador chamado John, Ben & Boys, formado por Bekir e dois amigos na pequena cidade montanhosa. Com uma câmera DV, Bekir capturou a vida comunitária bosníaca e os momentos de terror que se seguiram quando milícias sérvias se aproximaram.
Sequências marcantes confrontam as atrocidades de Srebrenica, onde milhares de homens e jovens bosníacos foram mortos. As memórias de Bekir aparecem sobre imagens de soldados sérvios não identificados, cuja fala desumaniza as vítimas. O contraste intenso entre perspectivas revela feridas psicológicas profundas.
O filme cruza passado e presente para examinar tanto os impactos físicos quanto os traços emocionais deixados pela violência. Bekir sobreviveu ao massacre, mas a experiência continua a moldar sua vida, demonstrando como o trauma pode alcançar gerações inteiras.
A produção transforma arquivos íntimos em documento histórico de difícil esquecimento. A abordagem combina relatos pessoais com material de arquivo, propondo uma análise sobre memória coletiva, responsabilidade e a persistência de marcas da guerra.
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