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Mostra de Randolpho Lamonier investiga desejo via dor e prazer

Exposição de Randolpho Lamonier tensiona desejo e violência, explorando consumo, poder e afeto em gravuras que fundem erotismo e atmosfera sombria

Obra da série 'O Amor dos Monstros e dos Bichos Selvagens', de Randolpho Lamonier - Filipe Berndt / Randolpho Lamonier/Verve Galeria
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  • A Verve Galeria recebe a exposição de Randolpho Lamonier, intitulada “Uma Noite de Amor com Eros e Tânatos no Inferno”, com vinte e seis obras em cartaz.
  • A mostra celebra duas décadas de carreira do artista, conhecido pelos estandartes que discutem dramas brasileiros, com obras que integram acervos do Masp, Pinacoteca de São Paulo e Denver Art Museum.
  • Os trabalhos exploram desejo, erotismo, violência e consumo, com gravuras que unem fascínio e espanto em tonalidades pretas e vermelhas.
  • Destaques incluem a gravura “Diários de Fast-Food”, a série “O Amor dos Monstros e dos Bichos Selvagens” e trabalhos com objetos domésticos, símbolos de consumo e cenas inquietantes.
  • Horários da mostra: terças a sextas, das 11h às 18h; sábados, das 12h às 17h; até 6 de junho; entrada gratuita; classificação 18 anos.

A mostra de Randolpho Lamonier chega a São Paulo para explorar a relação entre desejo, medo e violência por meio de gravuras, têxteis e instalações. Intitulada Uma Noite de Amor com Eros e Tânatos no Inferno, a exposição está em cartaz na Verve Galeria, no centro da capital, com 26 obras que revelam dois momentos da carreira do mineiro.

A curadoria apresenta a produção que marcou a trajetória do artista, conhecido pelo uso de estandartes com mensagens sobre dramas brasileiros. A mostra acompanha desde suas gravuras iniciais até a virada para trabalhos têxteis, mantendo a temática de tensão entre intimidade e violência.

Randolpho Lamonier analisa a dicotomia entre prazer e potência, destacando que o desejo decorre de um sistema de poder permeado por afeto, mas também de violência. O artista comenta que o conjunto de obras dialoga com o inconsciente individual e coletivo, especialmente à noite.

Exposição e obras-chave

Entre as obras, gravuras que rompem com o ambiente doméstico aparecem em cenas perturbadoras, como uma criatura com quatro seios tomando banho. O conjunto utiliza tons escuros para transmitir uma atmosfera de penumbra.

O texto impresso em uma das paredes revela uma lembrança da primeira comunhão, ligada a temores religiosos sobre a hóstia. O artista descreve a culpa e a autocensura que viveu naquela época, reforçando o eixo entre culpa, desejo e identidade.

Outras peças unem sexo, consumo e cultura popular. Em Diários de Fast-Food, Lamonier mistura cenas de sexo com imagens de fast-food, sinalizando o choque entre desejo sexual e consumo. Logomarcas de marcas como MTV, Fiat, Lacoste e Toshiba aparecem em várias gravuras da série O Amor dos Monstros e dos Bichos Selvagens, criando um panorama de pesadelo e consumo.

Detalhes da mostra

A exposição parte de uma produção que abrange desde gravuras até instalações, incorporando referências ao cinema e à cultura de massa. Em República Zero, o artista reúne imagens de pessoas e momentos significativos para sua trajetória, em um grande mural.

Outra peça, Festinha, é uma instalação criada em parceria com Victor Galvão. Sobre uma tenda, objetos diversos sugerem uma festa interrompida, com elementos como latas de cerveja, cadeira de praia e um pênis de borracha, transmitindo sensação de solidão e desencontro.

Serviços e horários

Quando: Terça a sexta, das 11h às 18h; sábado, das 12h às 17h. Até 6 de junho.

Onde: Verve Galeria, av. São Luís, 192, São Paulo.

Preço: Grátis. Classificação: 18 anos.

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