- Abraccine atualizou a lista dos 100 filmes brasileiros mais importantes, comemorando 15 anos da entidade.
- Destaques da edição incluem Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, que foram ao Oscar representando o Brasil.
- Os filmes não aparecem em ordem de importância; estão em um patamar único na lista.
- Ao todo, 1.169 títulos foram citados durante a votação, incluindo obras de diferentes épocas.
- Os 100 filmes receberão textos críticos em um livro a ser lançado no fim do ano pela editora Letramento.
A Abraccine, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, divulgou uma atualização da lista dos 100 filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos, em comemoração aos 15 anos da entidade. Entre as novidades estão os títulos recentes *O Agente Secreto* e *Ainda Estou Aqui*, que também foram ao Oscar representando o Brasil.
A revisão ocorre 10 anos após a primeira votação e abrange obras lançadas entre 2016 e 2026. A seleção busca ampliar o espaço para filmes dirigidos por mulheres e cineastas negros, refletindo uma visão mais diversa do cinema nacional. Mais de 1.1 mil títulos foram citados durante o processo de votação.
Segundo Orlando Margarido, presidente da Abraccine, a atualização é necessária frente às mudanças sociais e ao crescimento da entidade, que hoje reúne mais de 180 críticos em todo o país. A vice-presidente Cecilia Barroso afirma que não houve ranqueamento desta vez, mantendo os filmes em um patamar único, reconhecendo sua relevância coletiva.
Novas Inclusões Destacadas
A lista percorre desde o cinema clássico até produções contemporâneas premiadas, incluindo desde obras do Cinema Novo até títulos da Retomada. Em 2024 e 2025, os diretores premiados ganham espaço junto a títulos históricos, mantendo a função educativa da relação entre passado e presente.
A edição foi organizada para compor um novo livro pela editora Letramento, com textos críticos que exploram recortes históricos, estéticos e temáticos do cinema brasileiro. A publicação, prevista para o fim do ano, terá organização de Ivonete Pinto, Danilo Fantinel e Paulo Henrique Silva.
A lista é apresentada a seguir sem ordem de classificação, trazendo 100 títulos que marcaram diferentes fases do cinema nacional. Entre eles, destacam-se:
- Limite (1931), Mário Peixoto
- Ganga Bruta (1933), Humberto Mauro
- O Ébrio (1946), Gilda de Abreu
- Também Somos Irmãos (1949), José Carlos Burle
- Carnaval Atlântida (1952), José Carlos Burle
- O Cangaceiro (1953), Lima Barreto
- Rio, 40 Graus (1955), Nelson Pereira dos Santos
- Rio, Zona Norte (1957), Nelson Pereira dos Santos
- O Grande Momento (1958), Roberto Santos
- O Homem do Sputnik (1959), Carlos Manga
- Aruanda (1960), Linduarte Noronha
- O Assalto ao Trem Pagador (1962), Roberto Farias
- O Pagador de Promessas (1962), Anselmo Duarte
- Os Cafajestes (1962), Ruy Guerra
- Porto das Caixas (1962), Paulo Cezar Saraceni
- Vidas Secas (1963), Nelson Pereira dos Santos
- À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964), José Mojica Marins
- A Velha a Fiar (1964), Humberto Mauro
- Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Glauber Rocha
- Noite Vazia (1964), Walter Hugo Khouri
- Os Fuzis (1964), Ruy Guerra
- A Falecida (1965), Leon Hirszman
- A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965), Roberto Santos
- São Paulo Sociedade Anônima (1965), Luiz Sergio Person
- A Entrevista (1966), Helena Solberg
- O Padre e a Moça (1966), Joaquim Pedro de Andrade
- Todas as Mulheres do Mundo (1966), Domingos de Oliveira
- A Margem (1967), Ozualdo Candeias
- Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), José Mojica Marins
- O Caso dos Irmãos Naves (1967), Luiz Sergio Person
- O Menino e o Vento (1967), Carlos Hugo Christensen
- Terra em Transe (1967), Glauber Rocha
- O Bandido da Luz Vermelha (1968), Rogério Sganzerla
- A Mulher de Todos (1969), Rogério Sganzerla
- Macunaíma (1969), Joaquim Pedro de Andrade
- Matou a Família e Foi ao Cinema (1969), Julio Bressane
- O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969), Glauber Rocha
- O Despertar da Besta (Ritual dos Sádicos) (1970), José Mojica Marins
- Sem Essa, Aranha (1970), Rogério Sganzerla
- Um É Pouco, Dois É Bom (1970), Odilon Lopez
- Bang Bang (1971), Andrea Tonacci
- S. Bernardo (1972), Leon Hirszman
- Toda Nudez Será Castigada (1972), Arnaldo Jabor
- Alma no Olho (1973), Zózimo Bulbul
- Compasso de Espera (1973), Antunes Filho
- Os Homens que Eu Tive (1973), Tereza Trautman
- A Rainha Diaba (1974), Antonio Carlos da Fontoura
- Iracema, uma Transa Amazônica (1975), Jorge Bodanzky e Orlando Senna
- Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), Bruno Barreto
- Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977), Hector Babenco
- Mar de Rosas (1977), Ana Carolina
- A Lira do Delírio (1978), Walter Lima Jr.
- Tudo Bem (1978), Arnaldo Jabor
- A Mulher que Inventou o Amor (1980), Jean Garrett
- Bye Bye Brasil (1980), Carlos Diegues
- O Homem que Virou Suco (1980), João Batista de Andrade
- Pixote, a Lei do Mais Fraco (1980), Hector Babenco
- Eles Não Usam Black-Tie (1981), Leon Hirszman
- Os Saltimbancos Trapalhões (1981), J.B. Tanko
- Das Tripas Coração (1982), Ana Carolina
- Pra Frente Brasil (1982), Roberto Farias
- Onda Nova (1983), Ícaro Martins e José Antonio Garcia
- Amor Maldito (1984), Adélia Sampaio
- Cabra Marcado para Morrer (1984), Eduardo Coutinho
- Memórias do Cárcere (1984), Nelson Pereira dos Santos
- A Hora da Estrela (1985), Suzana Amaral
- A Marvada Carne (1985), André Klotzel
- Filme Demência (1986), Carlos Reichenbach
- Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado
- Que Bom Te Ver Viva (1989), Lúcia Murat
- Superoutro (1989), Edgard Navarro
- Alma Corsária (1993), Carlos Reichenbach
- Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995), Carla Camurati
- Terra Estrangeira (1995), Daniela Thomas e Walter Salles
- Baile Perfumado (1996), Lírio Ferreira e Paulo Caldas
- Central do Brasil (1998), Walter Salles
- O Auto da Compadecida (2000), Guel Arraes
- Bicho de Sete Cabeças (2001), Laís Bodanzky
- Lavoura Arcaica (2001), Luiz Fernando Carvalho
- Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund
- Edifício Master (2002), Eduardo Coutinho
- Madame Satã (2002), Karim Aïnouz
- Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), Marcelo Gomes
- O Céu de Suely (2006), Karim Aïnouz
- Serras da Desordem (2006), Andrea Tonacci
- Jogo de Cena (2007), Eduardo Coutinho
- Saneamento Básico, o Filme (2007), Jorge Furtado
- Santiago (2007), João Moreira Salles
- Trabalhar Cansa (2011), Juliana Rojas e Marco Dutra
- O Som ao Redor (2012), Kleber Mendonça Filho
- O Menino e o Mundo (2013), Alê Abreu
- Branco Sai, Preto Fica (2014), Adirley Queirós
- Que Horas Ela Volta? (2015), Anna Muylaert
- Aquarius (2016), Kleber Mendonça Filho
- Arábia (2017), Affonso Uchoa e João Dumans
- As Boas Maneiras (2017), Juliana Rojas e Marco Dutra
- Marte Um (2022), Gabriel Martins
- Mato Seco em Chamas (2022), Adirley Queirós e Joana Pimenta
- Ainda Estou Aqui (2024), Walter Salles
- O Agente Secreto (2025), Kleber Mendonça Filho
Fonte: Abraccine, em conjunta com as informações da edição atualizada para o 15º aniversário, com credenciamento aos críticos e à organização da obra literária que acompanhará a lista.
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