- Em Cannes, o iraniano Asghar Farhadi apresenta Parallel Tales, centrado em uma escritora interpretada por Isabelle Huppert que transforma a vizinhança em mote de ficção.
- A personagem Sylvie, que busca mudar de apartamento, narra a vida dos vizinhos para uma editora, mas o manuscrito é rejeitado e a história se complica quando alguém rouba o original.
- O enredo acompanha também os moradores da casa ao lado, incluindo Nita, que trabalha com dois irmãos, Pierre e Theo, e começa a vivenciar os efeitos da ficção na vida real.
- O filme utiliza um tom voyeurístico, alternando entre o que é ficção na cabeça de Sylvie e o que acontece de fato entre os personagens na vida real.
- Farhadi, que vive fora do Irã desde dois mil e vinte e três por censura, parece explorar a origem da criatividade e o impacto de uma história na realidade, distinguindo-se dos dramas morais de seus trabalhos anteriores.
Isabelle Huppert estrela Parallel Tales, novo filme de Asghar Farhadi, apresentado em Cannes nesta quinta-feira. O longa acompanha uma escritora em crise que, ao narrar a vida dos vizinhos, vê a ficção invadir a realidade de maneira abrupta. A obra chega a Paris antes de chegar às telas internacionais.
No centro da trama, Sylvie, interpretada pela atriz, escreve sobre os moradores do prédio da frente e tenta mudar de apartamento. Sua editora rejeita o manuscrito, e a sobrinha contrata Adam, um desconhecido, para ajudar na mudança. A partir disso, a ficção ganha corpo na vida real.
Paralelamente, Farhadi mostra o dia a dia dos vizinhos espionsdos. Nita trabalha como sonoplasta ao lado de dois irmãos, Pierre e Theo, com quem namora o mais velho, Pierre. A história se complexifica quando Adam entrega o manuscrito a Nita, colocando em risco as relações entre todos.
O filme alterna entre as camadas de ficção criadas pela protagonista e a vida dos vizinhos sob o olhar do cineasta. A tensão nasce do choque entre o que é inventado e o que acontece de fato entre os personagens. Esse vai e vem topa o limite entre arte e vida.
Farhadi, que vive fora do Irã desde 2023 após alegações de censura, parece explorar uma reflexão sobre a origem da criatividade e o poder de uma história sobre quem a lê. Adam passa a encontrar sentido na vida ao completar o rascunho de Sylvie.
O diretor concorre pela primeira vez em Cannes desde que Jafar Panahi venceu a Palma de Ouro em 2025 com um filme rodado ilegalmente no Irã. A trajetória de Farhadi carrega a dimensão de um artista que dialoga com temas de censura, liberdade e criação.
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