- Trabalhadores do set do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, relatam assédio moral, agressões físicas e condições precárias durante as filmagens no ano passado, conforme dossiê do Sated-SP.
- Segundo o relatório, houve revistas íntimas e humilhações por seguranças, além de suposta segregação entre figurantes brasileiros e profissionais norte-americanos.
- O salário dos figurantes brasileiros seria de R$ 100, com desconto de R$ 10 pelo uso de vans; o elenco de apoio receberia R$ 170, valores considerados abaixo do mercado pelo sindicato.
- A produção nega pagamentos de dinheiro de terceiros ou vetores de verba pública, e a Go Up Entertainment não respondeu de imediato a pedidos de comentário.
- O filme, com estreia prevista para 11 de setembro, envolve ainda o tema de pagamentos relacionados a Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, em meio a acusações de repasse financeiro à produção.
O filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrenta denúncias de assédio moral, agressões físicas e condições precárias no set durante as filmagens do ano passado. As queixas foram reunidas por trabalhadores do audiovisual envolvidos na produção.
Um dossiê do Sated-SP aponta abusos desde a entrada de figurantes no set. Seguranças teriam feito revistas íntimas, de forma truculenta. Um profissional chegou a registrar boletim de ocorrência por agressão, segundo o documento.
Internamente, o sindicato afirma que houve segregação entre equipes brasileiras e estrangeiras, com refeições distintas. Enquanto profissionais americanos tinham catering completo, os brasileiros recebiam apenas um kit de lanche diário.
Denúncias de assédio e condições no set
O material do Sated-SP também sustenta que as gravações se estenderam por mais de oito horas diárias, com relatos de alimentos estragados no final de outubro e de que o cachê brasileiro ficava abaixo do mercado.
Conforme o documento, figurantes brasileiros recebiam R$ 100, com desconto de R$ 10 por uso de vans, enquanto o elenco de apoio recebia R$ 170. O piso sugerido pelo Sated-SP é de R$ 227,14 para figurantes e R$ 500 para o elenco de apoio.
A produção também foi alvo de críticas sobre o cachê e condições de trabalho, com o Sated-SP destacando valores inferiores aos padrões da categoria.
Reação e respostas das partes
A Go Up Entertainment, produtora brasileira com sede na Califórnia, disse que não poderia comentar de imediato por estar sobrecarregada com demandas, sem afastar as acusações.
A filmagem tem estreia prevista para 11 de setembro, e envolve o ator Jim Caviezel no papel de Bolsonaro, sob direção de Cyrus Nowrasteh. A equipe de produção nega que tenha havido repasse de verbas públicas ou privadas para a realização do filme.
No âmbito político, o escândalo envolve também Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidency. O Intercept Brasil publicou gravação onde Vorcaro teria pedido dinheiro para finalizar o filme, o que não é comprovado pela produção.
Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado recursos a Vorcaro, mas disse não ter recebido ou oferecido vantagens. A produtora negou qualquer vínculo financeiro entre o filme e emendas ou verbas públicas.
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