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Peça propõe cruzeiro para questionar a ideia de latinidade

Na peça Reset América Latina, cruzeiro expõe hierarquias, tensões raciais e o legado colonial que molda identidades no presente

Cena da peça 'Reset América Latina', do coletivo Estopô Balaio
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  • A peça Reset América Latina, do coletivo Estopô Balaio, propõe uma viagem de cruzeiro para discutir latinidade e o passado colonial.
  • No enredo, o navio apresenta ruídos e conflitos entre passageiros, revelando hierarquias sociais e cortes de alimentação entre grupos.
  • A personagem Paulina, interpretada por Dandara Azevedo, questiona a ideia de ser latina, enquanto Paola, vivida por Ana Carolina Marinho, representa a tensão entre voz e espaço.
  • A obra encerra a Trilogia da Amnésia, que investiga identidades nacionais e regionais, após Reset Nordeste (2020) e a reflexão sobre o que é ser brasileiro.
  • Reset América Latina ocorre no Sesc Belenzinho, de 29 de maio a 5 de julho, com sessões de quinta a sábado às 20h30 e domingo às 17h30; ingresso R$ 60; direção de Eliana Monteiro.

A peça Reset América Latina apresenta uma viagem de cruzeiro que funciona como metáfora da latinidade e do legado colonial. O projeto encerra a Trilogia da Amnésia, lançando um olhar sobre como identidades nacionais costumam ser moldadas por dinâmicas históricas de exploração. A narrativa utiliza o navio como palco para explorar hierarquias sociais e políticas de pertencimento.

No enredo, o navio é apresentado como cenário de luxo que, aos poucos, revela tensões entre passageiros e tripulação. Elementos de desconforto aparecem na forma de ruídos, falhas estruturais e disputas por comida, simbolizando desigualdades historicamente presentes. O fio condutor questiona o peso da ideia de latinidade na vida cotidiana.

Trama, personagens e leitura crítica

A personagem Paulina, interpretada por Dandara Azevedo, expressa ceticismo quanto à ideia de ser latina e questiona a pertinência daquele espaço de privilégio. Do outro lado, Paola, vivida por Ana Carolina Marinho, representa o debate entre desejo de assimilação e preservação de identidades próprias. A tensão entre as duas acelera o climão dramático.

O elenco é liderado pelo coletivo Estopô Balaio, criado há 15 anos no Jardim Romano, em São Paulo. A companhia realiza uma dramaturgia construída a partir das ruas, buscando descentralizar o espaço cênico. A montagem faz parte de um movimento de financiamento que tem encontrado entraves em editais voltados a instituições teatrais.

Detalhes da programação

Reset América Latina fica em cartaz no Sesc Belenzinho, localizado no bairro Belenzinho, na cidade de São Paulo. A temporada ocorre de 29 de maio a 5 de julho, com sessões às quintas e sextas-feiras às 20h30, aos sábados, e domingos às 17h30. O valor dos ingressos é de R$ 60.

A encenação utiliza a metáfora do navio para falar sobre o próprio mundo do teatro, onde o grupo percebe a estrutura de financiamento como potencial opressor. A montagem retrata dilemas internos de cada integrante diante de um espaço que pode centralizar o poder e excluir vozes.

A direção fica a cargo de Eliana Monteiro, com autoria do Estopô Balaio. Por meio de uma linguagem que mistura realismo e elementos surrealistas, a peça propõe uma reflexão sobre como o passado colonial ainda influencia as relações sociais atuais, sem oferecer respostas fáceis.

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