- No Festival de Cannes, Hirokazu Kore-eda apresentou Sheep in the Box, drama futurista que analisa luto e falhas humanas em um mundo com inteligência artificial.
- A história acompanha Otone e Kensuko, que recebem um dispositivo que projeta um holograma de seu filho falecido, criado a partir de DNA, para ajudar no processo de despedida; o acordo envolve dados obtidos durante a convivência com o produto.
- O enredo levanta questões sobre relações familiares, culpa e trauma, mesclando temas existenciais com uma estética minimalista chamada “cozy”.
- Também foi exibido The Beloved, de Rodrigo Sorogoyen, com Javier Bardem e Victoria Luengo, sobre um diretor que retorna à Espanha para filmar e escala a filha para o papel principal, reacendendo conflitos familiares.
- O filme destaca a presença de Bardem e discute, entre cenas íntimas e sutis, desigualdade de gênero nos bastidores do cinema e as consequências emocionais de decisões profissionais.
O festival de Cannes abriu espaço para debates sobre tecnologia, memória e relações familiares com a sessão de Sheep in the Box, do japonês Hirokazu Kore-eda. O drama sci‑fi apresenta um futuro próximo em que uma empresa oferece a pacientes enlutados a criação de androides idênticos aos filhos falecidos, a partir de DNA. Otone e Kensuko recebem uma caixa com um holograma que anuncia o serviço e detalhes de uso, entre eles a entrega gratuita de exemplares em troca de dados coletados pela IA durante a convivência.
A história acompanha o retorno gradual de Otone e Kensuko à presença do que seria o filho perdido, com o Kakeru sintético fazendo perguntas e aprendendo comportamentos. A narrativa, segundo o diretor, questiona o luto, a natureza da existência e o papel da tecnologia na vida humana, explorando ainda as consequências do consumo generalizado e da dependência de soluções rápidas para emoções profundas.
The Beloved, de Rodrigo Sorogoyen, também foi destaque na disputa pela Palma de Ouro. O filme acompanha Esteban, diretor que retorna à Espanha para filmar a partir de Nova York, e a filha Emilia, que não tem contato com ele há 13 anos. Bardem interpreta o diretor, enquanto Victoria Luengo dá vida a Emilia, cuja relação com o pai revela feridas de uma convivência ausente.
O roteiro foca na tensão entre memória familiar e as escolhas profissionais, evidenciando a desigualdade de gênero existente nos bastidores do cinema. A relação entre pai e filha é explorada por meio de diálogos tensos e close-ups que destacam a carga emocional dos gestos.
Bardem, presente na competição, tem ganhado notoriedade pela atuação e por participar de debates públicos. O ator espanhol tem se posicionando publicamente em temas internacionais, incluindo a defesa de causas políticas, o que repercute no momento de divulgação do filme. Em entrevista recente à Variety, ele mencionou impactos profissionais ligados às suas declarações sobre o Oriente Médio.
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