- Direção de Fabio Meira trabalha em um projeto inacabado, recuperando um filme iniciado em 2010 e retomado em 2024, no sertão nordestino.
- O filme se apresenta como documentário, mas introduz elementos de ficção, com Ruy, um topógrafo, convivendo com três mulheres de circo: Índia Morena, Madona Show e Jéssica.
- Jéssica é retratada como filha de Ruy Guerra com Claudia Ohana; Madona e Jéssica fugiram de casa aos quinze anos e encontraram no circo um lugar.
- A obra explora duplicidades entre real e ficção, pessoas reais e personagens criados, além de uma reflexão sobre a razão de ser do filme e a forma de narrativa.
- O documentário incorpora momentos de making of e tensão, revelando inseguranças do diretor em 2010 e consolidando uma leitura de maturidade a partir da memória das próprias cenas.
O diretor Fabio Meira revisita o projeto inacabado de Mambembe, que acompanha três mulheres do circo no sertão nordestino. O filme transita entre registros documentais e ficcionais, evidenciando uma investigação sobre o que significa filmar o real. O projeto nasceu em 2010 e foi retomado em 2024, com novas perspectivas de abordagem.
A narrativa envolve o personagem de ficção Ruy, um topógrafo vivido por Murilo Grossi, que se aproxima das mulheres Índia Morena, Madona Show e Jéssica. Jéssica é interpretada pela atriz Dandara Guerra, filha de Ruy Guerra. O enredo mescla memórias, encontros e encontros entre o passado e o presente.
A obra busca revelar os desejos, sonhos e memórias das protagonistas, ao mesmo tempo em que examina o próprio processo de filmagem. A tensão entre o registro documental e a ficção surge como tema central, criando uma dramaturgia de duplicidades e encontros.
Dualidade entre documentário e ficção
Meira revela que o filme pode representar o que houve de mais íntimo em torno do projeto abandonado, ao mesmo tempo em que questiona as possibilidades de seguir caminhos não trilhados. A produção intercala cenas puramente documentais com trechos encenados, sob a lente de uma recuperação de imagens.
Progresso de produção e referências
O filme dialoga com referências do cinema brasileiro, como Cabra Marcado para Morrer e Já Visto Jamais Visto, ao reorganizar imagens para conferir novo significado. Momentos de tensão entre atores e equipe evidenciam a fragilidade e a meticulosidade do processo de reencenação.
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