- O documentário Once Upon a Time in Harlem acompanha uma festa realizada em Harlem, em agosto de mil novecentos setenta e dois, reunindo sobreviventes do Renascimento de Harlem para falar sobre o movimento.
- O filme, considerado a mais importante filmagem de William Greaves, recebeu estreia internacional em Cannes, na seção Directors’ Fortnight, mais de cinquenta anos após as filmagens; Greaves faleceu em dois mil e quatorze, e o projeto foi finalizado pelo filho David e pela neta Liani.
- Participaram da reunião artistas e intelectuais como Aaron Douglas, Richard Bruce Nugent, Arna Bontemps, Eubie Blake, Noble Sissle, James Van Der Zee e Ida Mae Cullen; Duke Ellington não pôde ir, mas Ruth Ellington esteve presente.
- Durante quatro horas, as imagens capturam saudações, memórias e debates sobre política, linguagem e legado, incluindo a discussão sobre usar o termo “negro” ou “afro-americano”.
- Para David Greaves, as conversas soam atuais e relevantes; o material foi restaurado a partir de sessenta mil pés de filme em 16 milímetros, após ter ficado sem uso em projetos anteriores.
O documentário Once Upon a Time in Harlem, sobre a Renascença de Harlem, finalmente tem estreia mundial anunciada, mais de 50 anos após as primeiras filmagens. O filme chega ao Cannes, na seção Directors’ Fortnight, com conclusão conduzida por David e Liani Greaves, filhos de William Greaves.
A obra registra um encontro de 1972 em Nova York, reunindo artistas e intelectuais que moldaram a cultura negra nos anos 1920. A reunião ocorreu em agosto no apartamento de Duke Ellington, em Harlem, com voluntários de várias gerações ainda vivos na época.
William Greaves iniciou o projeto na década de 1960, buscando ampliar a produção negra de informação para tela. O material permaneceu inédito por décadas, passando por restauração sob supervisão de David e Liani após a morte de William.
O que aconteceu e quem está envolvido
A festa de 1972 reuniu nomes como Aaron Douglas, Richard Bruce Nugent, Arna Bontemps, Eubie Blake, Noble Sissle, James Van Der Zee e Ida Mae Cullen. O filme registra debates sobre identidade, política e legado cultural.
David Greaves atuou como câmera man na época e hoje supervisiona a edição final. O rodado inclui quatro câmeras e dois departamentos circulando para captar conversas espontâneas que definem o ritmo do filme.
Quando, onde e por que é relevante
O lançamento internacional acontece em Cannes, marcando a primeira apresentação ampla desde as imagens de 1972. A produção enfatiza vozes da Renascença que, segundo os realizadores, ainda dialogam com questões de raça e representação no Brasil e no mundo.
A restauração envolveu cerca de 60 mil pés de película em 16 mm, sob responsabilidade de David e de sua equipe. O objetivo é preservar a memória histórica e o diálogo intelectual da terna década de 1920.
Desdobramentos e contexto atual
O filme inclui debates sobre termos para descrever identidades negras e referências a figuras como Marcus Garvey e Langston Hughes. Fragmentos sobre Haile Selassie e a resposta internacional também compõem a narrativa histórica.
A produção destaca que o racismo estrutural permanece relevante, com menções a episódios de violência racial nos EUA. A obra serve como registro crítico do passado e do presente da luta por reconhecimento cultural.
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