- Denúncias do Sated/SP apontam 15 ocorrências durante as gravações de Dark Horse em São Paulo, incluindo comida estragada, cachês abaixo do mercado, atraso de pagamentos e cobrança de deslocamento de R$ 10 sem nota.
- Relatos apontam tratamento diferenciado ao elenco estrangeiro, jornadas acima de oito horas com alimentação insuficiente e revistas invasivas na entrada das locações.
- Há registro de agressão física no set, com boletim de ocorrência e possibilidade de exame de corpo de delito.
- A Ancine não recebeu documentação da produtora GO UP Entertainment, o que contraria a instrução normativa nº 79/2008; a agência afirmou não houve comunicação nem autorização para passaportes de trabalho de estrangeiros.
- A produção enfrenta questionamentos sobre financiamento, com envolvimento de Vorcaro e emendas parlamentares sob escrutínio de PF e STF; GO UP e Ancine não se pronunciaram até o momento.
O filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve relatos de bastidores divulgados na imprensa neste fim de semana. Segundo o material do Sated/SP, episódios em São Paulo vão desde alimentação inadequada até acusações de agressão no set. As informações foram veiculadas pelo G1 e pelo Intercept Brasil.
O relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo reúne 15 ocorrências formais registradas por trabalhadores envolvidos na produção. Entre elas estão alimentação insuficiente, jornadas acima do previsto e pagamentos abaixo do mercado.
Segundo o documento, houve atraso de cachês, contratação informal e pagamentos em dinheiro sem emissão de nota fiscal. O material também aponta deslocamentos de figurantes pagos parcialmente ou descontados do cachê, além de episódios de agressão física no local de gravação.
O Intercept Brasil revelou que a produtora GO UP Entertainment não enviou documentação à Ancine, o que é exigido pela legislação brasileira para produções estrangeiras gravadas no país. A Ancine confirmou que não houve comunicação nem autorização formal para o trabalho de profissionais estrangeiros.
A agência destaca que, conforme a instrução normativa nº 79/2008, obras audiovisuais estrangeiras devem ser conduzidas por produtora brasileira registrada na Ancine. Em nota, a Ancine afirmou que não houve envio de documentos para a emissão de passaporte de trabalho.
Relatos de um suposto calote envolvendo um café que serviu como set também aparecem no material. A locação de R$ 5 mil não teria sido paga, aumentando o questionamento sobre o gerenciamento de custos da produção. A reportagem aponta ainda tensões entre orçamentos milionários e pagamentos locais.
Questionamentos sobre o financiamento surgem após vazamento de áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, que cobrava o restante de pagamento para o filme. A fala, vinculada a Vorcaro, aponta investidor adicional, gerando repercussão política sobre o financiamento.
A Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal e autoridades associadas passaram a acompanhar o tema, com foco em irregularidades apontadas no financiamento e nas emendas parlamentares vinculadas ao longa. A produção e a Ancine não se manifestaram até o fechamento desta edição.
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