- A jornalista Charlotte Higgins relembra o período na Vogue britânica nos anos noventa e a ficção em torno de “The Devil Wears Prada 2”, que traz um retrato da indústria da moda em declínio.
- No filme, a editora veterana Andy Sachs é demitida por mensagem de texto, refletindo os reajustes do setor de mídia na vida real, como os cortes no Washington Post em fevereiro.
- Higgins descreve a Vogue House como um ambiente intenso de precisão linguística, com carregos de memórias sobre a rotina de editoração e a cultura da época.
- Ela lembra remunerações baixas, inclusive um corte de salário para £ eleven mil, e episódios marcantes envolvendo HR, moda e bastidores da redação.
- As lembranças são embaladas pela nostalgia de uma era de revistas glossy, polo cultural e transformações políticas dos anos noventa, que influenciaram sua trajetória até o Guardian.
A crítica sobre The Devil Wears Prada 2 toca em uma memória: a época em que Vogue ainda era vista como o ápice da indústria de revistas. A autora relembra a década de 1990, quando a redação recebia exemplares encadernados e o glamour parecia interminável. O filme atual é comentado sob a ótica de quem viveu parte desse universo.
A narrativa descreve o ambiente de Vogue House em Londres, com foco no setor de edição e nas rotinas da equipe de copyeditors. Relata a busca pela precisão gramatical, o peso do estilo e o impacto de uma cultura de trabalho intensiva. A autora descreve, de forma crítica, o equilíbrio entre ambição profissional e as cobranças corporativas.
Em uma memória que se conecta a uma geração inteira, a autora descreve o início de carreira após uma entrevista que resultou em queda salarial para £11.000, a partir de uma decisão de RH. Detalha também a convivência com figuras influentes da época, como editores e colaboradores de alto perfil, e o ambiente de aprendizado no universo Condé Nast.
Mudanças na indústria da moda e da imprensa
A matéria relembra a fase de distribuição de grandes tiragens e a percepção de que o período parecia durar para sempre. O texto contrasta o clima de glamour com a realidade de cortes de pessoal, especialmente em grandes veículos de comunicação e redações que enfrentavam transformações digitais.
Além disso, menciona a cobertura de jornalismo investigativo em grandes jornais, incluindo casos de demissões por mensagens de texto em fevereiro, alinhando o romance da ficção com eventos reais na mídia impressa. A autora observa como o setor passou por reestruturações que refletiram mudanças no consumo de conteúdo.
Memórias de uma década de transformações
Os relatos colaboram para entender a nostalgia de uma época em que o mundo editorial era visto como bastião de estilo e poder. O texto também rememora episódios de relacionamento com revistas como World of Interiors e a dinâmica entre repórteres, editores e sectors criativos.
A autora conclui que, mesmo diante das mudanças, o que permaneceu foi a identificação com a comunidade profissional. A experiência na Guardian é apresentada como linha de continuidade, indicando onde se encontra a sua trajetória jornalística hoje, sem reforçar julgamentos sobre o passado.
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