- Fjord, dirigido por Cristian Mungiu, é apresentado em Cannes como uma obra de tom ambíguo, marcada por longas tomadas e falta de close-ups.
- A história acompanha Mihai, um engenheiro de software romeno, e Lisbet, mulher norueguesa, que mudam para uma vila remota para que Mihai trabalhe e integre-se a uma comunidade cristã conservadora.
- Em cena inicial, Mihai supostamente agride a filha adolescente, o que resulta na retirada das crianças provisoriamente e em questionamentos sobre os pais.
- A polícia registra o caso e a situação envolve questões sobre o relacionamento entre as filhas adolescentes Elia e Noora, além de preocupações sobre o pai idoso da vizinhança.
- O filme não entrega uma verdade clara nem uma resolução convincente, encerrando de modo abrupto no terminal de balsa, com a relação entre as jovens ainda pouco explicada.
Fjord, novo filme de Cristian Mungiu exibido em Cannes, é apresentado como uma produção internacional que reúne um cineasta premiado com grandes nomes estrangeiros. O projeto reúne o romeno Mungiu, vencedor em 2007, e atores como Renate Reinsve e Sebastian Stan, em uma coprodução dirigida fora da língua original do diretor.
O enredo acompanha Mihai, um engenheiro de software romeno, e Lisbet, uma mulher norueguesa, que se mudam para uma vila remota onde enfrentam uma atmosfera conservadora e uma comunidade escolar, além de questões legais envolvendo a filha adolescente. A história investiga punição corporal, traços de trauma e relações familiares.
A narrativa se abre com uma cena ambígua, na qual Mihai parece ter aplicado um castigo à filha. Os alunos percebem marcas no corpo das crianças e a escola questiona os pais, cuja comunicação ocorre quase inteiramente em romeno, o que complica os procedimentos. Um inquérito policial é iniciado.
Aproxima-se a revelação de tensões entre vizinhos, incluindo a relação entre as filhas adolescentes Elia e Noora. Enquanto o filme questiona a dinâmica entre o patriarca rígido e o sistema policial, surgem dúvidas sobre a atuação de autoridades e sobre a própria interpretação dos fatos.
O filme mantém o foco em ambientes fechados e na construção de confrontos morais, mas não oferece, segundo a crítica, as respostas esperadas nem transparência suficiente sobre os relacionamentos centrais. O final ocorre de forma contida, próximo a uma saída de barco no terminal de ferry.
Neste Cannes, Mungiu volta a explorar impacto de procedimentos legais e de julgamentos morais sobre famílias; porém, a crítica aponta que Fjord não bate o martelo com as revelações desejadas e falha em manter o suspense de maneira operacional. A obra, ainda assim, permanece em debate entre os espectadores.
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