- O filme Dark Horse precisaria arrecadar ao menos R$ 300 milhões para que o investimento de R$ 134 milhões fosse recuperado, segundo o que circula sobre o filme de Jair Bolsonaro.
- Isso equivaleria a 40% a mais do que todos os longas brasileiros lançados no ano passado juntos (cerca de R$ 215 milhões) ou ao dobro de Minha Mãe É uma Peça 3, que teve R$ 143,8 milhões de bilheteria.
- Flávio Bolsonaro reconheceu ter pedido milhões a Vorcaro; a Go Up Entertainment e Mario Frias negam acesso a esse dinheiro.
- Especialistas afirmam que, mesmo com cenário favorável, o Dark Horse precisaria de bilheteria acima de R$ 300 milhões apenas no Brasil, sem considerar custos de produção.
- O mercado brasileiro de cinemas enfrenta limitações de salas e distribuição: o país tem cerca de 890 cinemas em 3.553 salas, com grande concentração no Sul e Sudeste, o que complica a viabilidade de lançamentos desse porte.
Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, pode enfrentar dificuldades para recuperar o investimento financeiro atribuído a um banqueiro, caso o filme seja lançado apenas no Brasil. A produção precisaria arrecadar cerca de 300 milhões de reais nas salas de cinema para compensar 134 milhões de reais solicitados por Flávio Bolsonaro ao investidor.
Segundo apuração, o retorno dependeria de uma bilheteria extremamente alta, superior ao dobro do desempenho do maior sucesso do cinema nacional, Minha Mãe é uma Peça 3. A produção ainda não tem orçamento total divulgado. Go Up Entertainment afirma que houve outros investidores.
Flávio Bolsonaro admite ter buscado o aporte, enquanto a produtora e o roteirista Mario Frias negam acesso a verba específica do investidor. Eduardo Bolsonaro inicialmente afirmou não ter papel financeiro, mas posteriormente reconheceu ter assinado contrato ligado à gestão financeira da produção.
Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master, está detido e não comentou o caso. O tema envolve também a origem de parte dos recursos, com informações de que parte do dinheiro teria passado a um fundo no Texas, gerido pelo advogado de Eduardo Bolsonaro.
A BBC News Brasil questionou a Go Up sobre o financiamento, sem retorno imediato. Até o momento, não foi revelado o orçamento total nem os nomes dos demais patrocinadores. A imprensa não teve acesso a documentos que comprovem o montante total investido.
A distribuição de arrecadação na bilheteria costuma dividir o valor entre cinemas, distribuidora e produção. Em média, metade fica com as salas, enquanto a distribuição varia conforme marketing e acordos contratuais com as redes exibidoras.
Especialistas ouvidos pela BBC mencionam que, mesmo com números elevados, alcançar 300 milhões de reais no Brasil exige campanhas de marketing robustas e parcerias com marcas. O Brasil soma hoje cerca de 890 cinemas e 3.553 salas, com concentração no Sudeste e Sul.
Em regiões com menor oferta de salas, como parte do Norte e do Centro-Oeste, a projeção de sucesso de Dark Horse pode sofrer limitações de alcance. Em cidades com poucos complexes, a viabilidade de retorno fica ainda mais desafiada.
Alguns analistas destacam que, sem previsão de estreia anunciada, o filme não tem registro na Ancine nem confirmação de distribuição. A ausência de data de lançamento dificulta estimativas de desempenho, sobretudo diante da competição com lançamentos internacionais.
Se houver lançamento em plataformas, o retorno poderia vir apenas como janela de exibição posterior, já que streams costumam pagar valores menores por direitos do que a bilheteria. O projeto ainda não tem confirmação de estreia nem de distribuição internacional.
Ao considerar apenas o Brasil, calculam-se 15,1 milhões de usuários para alcançar 300 milhões de reais na bilheteria, valor ainda improvável segundo a indústria. Mesmo grandes filmes nacionais não atingem esse patamar com facilidade.
Especialistas afirmam que o cenário de Dark Horse depende de fatores além da popularidade de Bolsonaro, incluindo estratégia de mercado, timing de estreia e parcerias comerciais, que podem influenciar o retorno do investimento.
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