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A Odisseia e Dark Horse retrato de homens complexos

Tradução de Ulisses como “complicado” aumenta o debate sobre masculinidade e fidelidade ao herói na adaptação de A Odisseia

Rui Tavares
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  • A crítica internacional gira em torno de dois lançamentos: Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, no Brasil, e A Odisseia, de Christopher Nolan, no exterior, com Lupita Nyong’o no papel de Helena de Troia gerando polêmica.
  • A discussão principal envolve a tradução de A Odisseia por Emily Wilson, a primeira em inglês feita por uma mulher, que descreve Ulisses como “complicado” em vez de apenas astuto.
  • Segundo a tradutora, o adjetivo “complicado” nasce da ideia de caminhos e reviravoltas que Ulisses enfrenta, usando uma raiz latina ligada a dobrar/virar situações.
  • Críticos acusam a escolha de ser uma afronta à masculinidade tradicional, enquanto outros defendem a leitura mais ampla do herói e a importância da fidelidade ao original.
  • O texto ressalta que Ulisses é visto como homem de muitos caminhos, não apenas simples, e que a tradução pode ampliar a percepção sobre o herói e o enredo.

O tema dominante da semana no cinema internacional envolve duas obras ainda não lançadas. No Brasil, Dark Horse aborda Jair Bolsonaro; fora do país, A Odisseia de Christopher Nolan já gera repercussão antes da estreia. A coluna foca na produção de Nolan, cuja trama promete adaptar a Odisseia de Homero.

A polêmica gira em torno da escolha de Lupita Nyong o para o papel de Helena de Troia e das críticas de figuras prominentes. Além disso, o debate se estende à tradução da epopeia pela helenista Emily Wilson, a primeira mulher a traduzir o texto para o inglês. Questiona-se como a palavra inicial que descreve Ulisses influencia a compreensão do herói.

A leitura da palavra que descreve Ulisses

Emily Wilson escolheu traduzir o adjetivo inicial de Ulisses como complexo, em vez de simples ou ardiloso. O termo grego πολύτροπος aparece no início do poema e remete a viagens, curvas e reviravoltas. A pesquisadora buscou um correspondente latino, ligando a ideia a plicar, verbo que expressa dobrar e enrolar.

A opção de Wilson sinaliza uma leitura de Ulisses como figura multifacetada, marcada por escolhas frente a dilemas. A tradução gerou debate entre leitores e críticos, com argumentos sobre masculinidade e representações heroicas. A discussão envolve tradições literárias, linguagem e alcance interpretativo.

Repercussão internacional

Redatores e comentadores discutiram se a escolha por um Ulisses complicado ofende padrões tradicionais de heroísmo. A controvérsia ganhou adesão de perfis públicos e assinaturas de blogs especializados, ampliando o alcance da discussão para questões de tradução e leitura de clássicos. A produção de Nolan permanece no centro do debate cultural global, independentemente das críticas.

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