- Pedro Almodóvar retorna ao espanhol em Natal Amargo, filme em disputa pela Palma de Ouro no Festival de Cannes.
- O diretor volta a falar a língua original dois anos após O Quarto ao Lado, título em inglês que também esteve em Cannes.
- O filme trabalha diferentes formas de luto por meio de duas histórias paralelas: uma é real; a outra é criada pelo cineasta Raúl no roteiro que começa a escrever.
- Na trama real, Elsa, uma cineasta que não faz filmes há anos, convive com o namorado Boni e vive a crise causada por uma enxaqueca que evolui para pânico no período de Natal.
- Natal Amargo também questiona os limites da autoficção, ao misturar pessoas da vida de Raúl com personagens de sua obra, abrindo espaço para reflexões sobre criação e dor da ausência.
Pedro Almodóvar apresenta em Cannes o filme Natal Amargo, seu retorno ao espanhol após O Quarto Ao Lado em inglês. A obra disputa a Palma de Ouro no Festival de Cannes, que acontece na França. No Brasil, a estreia está marcada para 28 de maio.
O enredo traz duas histórias paralelas que exploram as diferentes formas de luto. Um cineasta chamado Raúl inicia o roteiro inspirado na vida de sua amiga Mónica, que deixa o trabalho para acompanhar uma mulher em viagem importante. Já Elsa, protagonista vivida por Bárbara Lennie, lida com crises de dor e ansiedade em meio a relacionamentos.
Elsa convive com Boni, namorado que também trabalha como bombeiro e stripper. A trama começa com uma enxaqueca severa que desencadeia crises de pânico durante o período de Natal, marcando o ano da morte da mãe da protagonista. A amizade com Patricia, vivida por Victoria Luengo, revela tensões quando o roteiro se aproxima da vida real.
Estrutura narrativa e temas
Raúl interrompe a escrita ao perceber que seus personagens se misturam com pessoas da vida real, incluindo Boni. O filme avança ao mostrar como a autoficção permite expurgar a dor, mas também suscita perguntas sobre limites entre ficção e experiência pessoal. A narrativa sugere que a criação pode transformar e ferir.
Ao longo da produção, Almodóvar questiona o uso da arte como ferramenta terapêutica e seu potencial de invasão. A obra dialoga com correntes atuais da autoficção na literatura, ampliando o foco do luto para o impacto sobre quem vive a história. O filme mantém o tom reflexivo característico do cineasta.
Natal Amargo encerra a jornada de dois filmes recentes de Almodóvar, que também exploraram a morte como tema central. Com a estreia prevista no Brasil no fim de maio, o público acompanha uma nova leitura sobre perda, criação e responsabilidade narrativa do cinema.
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