- Pedro Almodóvar levou a Cannes o seu novo filme, Natal Amargo, apresentado como autoficção e ligado ao díptico com Dor e Glória, já exibido em edições anteriores.
- O filme parte de uma história que mistura realidade e ficção, começando em 2004 com Elsa num hospital e Raul, um diretor em busca de inspiração, escrevendo o que pretende filmar.
- A narrativa joga com o tempo e recursos sonoros para separar o que é viver e o que é criar, mantendo a assinatura tortuosa e cheio de camadas característica do diretor.
- O elenco inclui Barbara Lennie, Leonardo Sbaraglia, Quim Gutiérrez e Aitana Sánchez-Gijón, entre outros, com números musicais ampliados e presença de música tema.
- Natal Amargo chega aos cinemas brasileiros no dia 28 de maio, mantendo o tom autoral de Almodóvar, que comenta sobre cinema, memória e mudanças ao longo de mais de duas décadas.
Pedro Almodóvar levou ao Festival de Cannes seu novo filme, Natal Amargo, que também chega aos cinemas brasileiros no dia 28 de maio. O filme marca uma nova incursão do diretor espanhol na autoficção, em que a própria persona artística dialoga com a ficção.
Natal Amargo, batizado na França como Autoficción, é visto como díptico com Dor e Glória, anterior premiado em Cannes. Em ambos, Almodóvar parte de elementos da sua vida para construir personagens que não o representam literalemente, apenas inspiram a narrativa.
A história se inicia em 2004, quando Elsa, interpretada por Barbara Lennie, encara uma dor de cabeça intensa e vai a uma emergência hospitalar. Beau, parceiro de Elsa, é um stripper apresentado logo, revelando traços de humor e teatralidade típicos do cineasta.
A narrativa se expressa entre passado e presente, com um roteiro em construção dirigido por Raul, interpretado por Leonardo Sbaraglia. A interação entre Raul e Monica, interpretada por Aitana Sánchez-Gijón, envolve críticas ao roteiro e reflexões sobre o mercado de cinema.
Almodóvar utiliza o recurso de mostrar as cenas com letreiros que surgem na tela, sinalizando a passagem entre realidade e ficção. O filme também traz músicas de Aimara Romero, mantendo a assinatura musical que marca obras anteriores.
A obra aborda questões do tempo como elemento central, com mais de duas décadas entre as cenas iniciais. O cineasta aponta diferenças de tom em relação a Dor e Glória, mantendo, no entanto, a combinação de drama e humor.
Entre as reflexões da temporada, Almodóvar participou de entrevistas em Cannes, onde comentou questões políticas. Em entrevista à revista The Envelope, o diretor criticou o uso de plataformas de streaming e destacou debates sobre direitos humanos em contextos internacionais.
Natal Amargo chega aos cinemas após a passagem de Almodóvar por Cannes, onde o diretor continua a ser figura de destaque. O filme é apresentado em um formato que une autorreferência e criação cinematográfica, sem abandonar a linguagem contundente do autor.
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