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Segunda Guerra Mundial é tema marcante no Festival de Cannes 2026

No Cannes 2026, quatro filmes abordam a Segunda Guerra Mundial, conectando passado a conflitos atuais, com foco no retorno de Thomas Mann à Alemanha

Scène de « Fatherland », de Pawel Pawlikowski, revive o retorno do Prêmio Nobel de Literatura Thomas Mann à Alemanha em 1949.
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  • Dos 22 filmes na disputa pela Palma de Ouro no 79° Festival de Cannes, quatro discutem guerras do século XX, principalmente a Segunda Guerra Mundial.
  • Fatherland, de Pawel Pawlikowski, é um dos favoritos: filme em preto e branco sobre o retorno de Thomas Mann à Alemanha em 1949, em meio a uma nação reconstruída.
  • Moulin, de László Nemes, mostra a ocupação nazista da França e a Resistência, com Jean Moulin sendo interrogado pela Gestapo.
  • Notre Salut, de Emmanuel Marre, acompanha um engenheiro que chega a Vichy, em setembro de 1940, com um tratado político próprio.
  • Coward, de Lukas Dhont, aborda a Primeira Guerra Mundial pela visão da frente belga.

O Festival de Cannes 2026 reserva um bloco temático relevante para o cinema de guerra: quatro dos 22 filmes em disputa pela Palma de Ouro exploram conflitos do século XX, com foco maior na Segunda Guerra Mundial. Entre eles, o drama histórico Fatherland, assinado pelo polonês Pawel Pawlikowski, figura entre os favoritos.

Fatherland é rodado em preto e branco, mantendo a estética característica do diretor. O filme relembra o retorno do escritor Thomas Mann à Alemanha em 1949, após fugir do regime nazista. O enredo mostra uma nação em reconstrução, dividida por linhas ideológicas opostas e pressionada a escolher um lado.

A narrativa acompanha os conflitos internos de Mann e as fraturas do país no pós-guerra, sem poupar ninguém. O silêncio em torno do nazismo e dos crimes cometidos durante a guerra é evidenciado ao longo da trama. A atuação da atriz alemã Sandra Hüller é elogiada pela crítica de Cannes.

O retrato do drama familiar se amplia quando o filho de Mann, Klaus Mann, não aparece como combinado na viagem. Ele teria morrido em Cannes, fato que impacta a família e a percepção pública do escritor. Após a estreia, visitantes passaram a prestar homenagens ao túmulo de Klaus na cidade.

Além de Fatherland, o festival também traz Moulin, que aborda a ocupação nazista da França e a atuação da Resistência. O longa húngaro dirigido por László Nemes foca na prisão de Jean Moulin, interrogado pela Gestapo de Lyon, em 1943, em um confronto marcado pela brutalidade.

Ainda sem estrear na competição, Notre Salut e Coward também tratam do tema da guerra, cada um sob outra perspectiva. Notre Salut, de Emmanuel Marre, situa-se em Vichy, em 1940, e apresenta um engenheiro que propõe um caminho patriótico para salvar a França. Coward, de Lukas Dhont, volta-se à Primeira Guerra Mundial, retratando a frente belga e os esforços dos homens para escapar da violência.

A pesquisadora Sylvie Lindeperg, da Universidade Paris I, observa que a repetição de temáticas da Segunda Guerra Mundial em Cannes não surpreende, dada a percepção de repolitização do tema no atual cenário internacional. A escolha de filmes reforça o foco em memórias históricas e suas consequências contemporâneas.

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