- O cineasta Pedro Almodóvar afirmou que cineastas têm uma “duty moral” para falar sobre política, sob o risco de silenciar a liberdade de expressão.
- Ele disse ainda que “a Europa nunca pode ser submetida a Trump” e que a censura é um sintoma de deterioração da democracia.
- As declarações foram feitas na première de Cannes de Bitter Christmas, seu novo filme em língua espanhola.
- A trama acompanha um diretor de cinema que questiona a própria criatividade e o direito de aproveitar os problemas dos amigos.
- Bitter Christmas recebeu palmas de cerca de nove minutos na sessão de estreia, gerando debates sobre o filme e o tema político.
Pedro Almodóvar afirmou nesta terça-feira, em Cannes, que cineastas têm um dever moral de falar sobre a política para não comprometer a liberdade de expressão. Em coletiva de imprensa para o lançamento de Bitter Christmas, o cineasta espanhol disse que a Europa não pode deixar que o extremismo ganhe espaço.
O diretor, de 76 anos, afirmou que a participação artística deve enfrentar a realidade social. Durante o evento, ele usou um broche em apoio à Palestina. A declaração surge em meio a temores de autoimposição de censura na Europa, caso o independentismo e o discurso de ultradireita avancem.
Almodóvar citou as eleições e o cenário de ascensão de partidos populistas na França, Alemanha e Reino Unido como exemplo de risco à liberdade de expressão. Ele considerou que a arte pode atuar como proteção contra o “delírio” autoritário que avança no continente.
Em Cannes, surgiram relatos de uma pressão para retomar práticas críticas ao financiamento de filmes, com o caso envolvendo a maior produtora francesa, Canal+, e rumores de ameaça de lista negra a figuras que assinaram petições contrárias a determinados apoiadores. A notícia circulou durante a semana.
O cineasta disse ainda que o silêncio e o medo são indicadores de deterioração democrática. Segundo ele, leis nacionais podem e devem funcionar como escudo contra abusos que ameacem a liberdade criativa.
Bitter Christmas, primeiro filme em espanhol de Almodóvar em cinco anos, entra na disputa principal de Cannes. O filme marca a sétima participação dele na competição do festival e não recebeu ainda o troféu máximo, apesar de prêmios anteriores.
Críticos destacam Bitter Christmas como uma obra autorreferencial, que acompanha um diretor de cinema que teme ter perdido a inspiração e questiona o direito de usar as próprias dificuldades para dramas alheios.
Pelo festival, a produção recebeu aprovação calorosa do público, com aplausos de nove minutos na sessão de estreia. A recepção sugere interesse renovado pelo trabalho de Almodóvar, mesmo sem confirmação de premiação até o momento.
A cobertura de Cannes continua acompanhando a reação da indústria às declarações do diretor. A conversa sobre liberdade de expressão e pressão política permanece como tema de destaque no evento.
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