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Almodóvar convoca artistas Cannes e chama Trump e Netanyahu e Putin de monstros

Almodóvar, em Cannes, convoca artistas a falar sem rodeios sobre política global, chamando Trump, Netanyahu e Putin de monstros

Raúl, personagem vivido por Leonardo Sbaraglia, é um cineasta em plena crise criativa em “Autoficção”, filme que Pedro Almodóvar apresenta no 79° Festival de Cannes.
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  • Pedro Almodóvar voltou a Cannes em 2026 com o filme Autoficção, na disputa pela Palma de Ouro.
  • Em coletiva, o diretor classificou Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin como “monstros” e convocou artistas a falarem sem rodeios.
  • Carregando um broche com “Free Palestine”, ele afirmou que a Europa representa um contraponto institucional e que há limites para as políticas de Trump.
  • Esta é a sétima tentativa de Almodóvar buscar a Palma de Ouro; ele diz não chegar a Cannes com a sensação de vencedor.
  • Autoficção acompanha Raul Durán, cineasta em crise criativa que cria Elsa para lidar com o bloqueio, entrelaçando vida pessoal e arte em Lanzarote e levantando questões éticas sobre transformar a vida em narrativa.

Pedro Almodóvar marcou presença em Cannes 2026 com discurso firme sobre o momento político global. Em sua volta à competição pela Palma de Ouro, ele criticou Donald Trump, Benjamin Netanyahu e Vladimir Putin, chamando-os de monstros. O cineasta espanhol falou durante a coletiva de imprensa do 79° Festival de Cannes.

Carregando um broche com a inscrição Free Palestine, ele disse que a Europa funciona como contrapeso institucional diante de políticas consideradas agressivas. Segundo Almodóvar, há leis na Europa que limitam ações internacionais, e a região não se submeterá a determinados projetos externos.

Mais do que posição política, o convite foi aos artistas. Para ele, a criação não é neutra e o artista deve falar abertamente sobre os dilemas globais. Estilo direto, o roteiro de Almodóvar foi apontado como um chamado ético ao papel social da arte.

Apesar do tom contundente, o cineasta manteve cautela sobre as próprias ambições no festival. Ele busca pela sétima vez a Palma de Ouro, mesmo com carreira premiada, dois Oscars e Leão de Ouro em Veneza. Repare-se no mosaico de jurados, segundo ele.

Autoficção

Este ano, Almodóvar apresenta em Cannes Autoficção, longa que explora o ato de criar. A trama acompanha Raul Durán, cineasta em crise criativa, que inventa Elsa, uma diretora de publicidade, para se inspirar. Um evento pessoal atinge a assistente e transforma a ficção em combustível narrativo.

Ambientado em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, o filme mergulha em temas de vida privada e criação artística. Já disponível na Espanha, a produção estreou na França no mesmo dia da apresentação em Cannes.

Limites entre realidade e ficção

Autoficção revela uma das preocupações permanentes de Almodóvar: até que ponto a vida pode virar matéria artística sem consequências? A obra sugere que o processo de transformação não é isento de riscos.

A narrativa levanta questões éticas sobre exposição, apropriação de intimidade e uso da dor alheia como motivação criativa. O protagonista enfrenta dilemas que atravessam toda a história, com a assinatura estética do diretor.

O filme, com elenco afinado e uma estética reconhecível, convida o público a refletir sobre o potencial da arte de beber da vida real sem perder limites.

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