- A coprodução brasileira Seis Meses no Prédio Rosa e Azul estreou na Semana da Crítica, em Cannes, com direção de Bruno Santamaría Razo.
- O filme mistura ficção e documentário e é inspirado nas memórias do cineasta sobre a época em que tinha onze anos, nos anos noventa, quando o pai recebeu o diagnóstico de HIV.
- Foi elogiado pelo jornal Libération, que destacou a memória como “audaciosa” e o uso de imagens em 16 mm.
- A produção brasileira ficou a cargo da Desvia, com participação de México e Dinamarca, e a pós-produção ocorreu principalmente no Brasil, em um formato “coletivo e colaborativo”.
- Embora não tenha levado prêmio na mostra paralela, o longa continua concorrendo a dois prêmios em Cannes: Queer Palm e Caméra d’Or.
Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, coprodução brasileira dirigida por Bruno Santamaría Razo, estreou na Semana da Crítica de Cannes, mostra paralela do festival. O filme mistura ficção e documentário para revisitar memórias da infância do realizador, aos 11 anos, nos anos 1990, durante o diagnóstico de HIV do pai.
A obra recebeu elogios da imprensa francesa, com destaque para a memória vibrante do cineasta e sua audácia narrativa. Rodado em 16 mm, o longa combina elementos ficcionais com entrevistas em formato documental.
Bruno Santamaría Razo descreve o nascimento do projeto a partir de lembranças que surgiram durante a pandemia de Covid-19. Ele explica que o processo envolveu escrever para entender as emoções que não estavam claras na lembrança.
A peça central aborda a tensão entre afeto e sofrimento, apresentada com alegria, música e festa. O diretor ressalta a presença marcante da música salsa na família, que ajuda a compreender a forma como lidavam com dor e dor causada pela doença.
Estrutura do filme e abordagem criativa
O filme tem duas camadas: o passado, reconstruído pela ficção, e o presente, em linguagem documental com entrevistas à família do diretor. Santamaría Razo, já experiente como diretor de fotografia, assina pela primeira vez a direção de um longa.
Segundo o diretor, a encenação do passado e as entrevistas do presente formam um espaço de cerca de 30 anos entre a lembrança e a decisão de fazer o filme, ponto central da narrativa.
Rachel Daisy, produtora brasileira da Desvia, revela o envolvimento na produção. A coprodução contou com parceria entre México (Ojos de Vaca), Brasil (Desvia) e Dinamarca (Snowglobe), com a pós-produção majoritariamente realizada no Brasil.
A produtora brasileira destaca que a participação local na montagem, som e efeitos especiais ampliou o alcance criativo do projeto e fortaleceu o aspecto coletivo da produção.
Reconhecimento em Cannes
Na entrega de prêmios da Semana da Crítica, anunciada nesta quarta-feira, La Gradiva, de Marine Atlan, foi a vencedora. O longa brasileiro não levou aestatueta, mas concorre a dois prêmios no festival: Queer Palm e Caméra d’Or, dedicado ao melhor primeiro filme em todas as mostras.
A coprodução brasileira continua em disputa, mantendo o foco na qualidade autoral e na diversidade de equipes. O projeto, celebrando a memória e a coragem de retratar passado e presente, segue atraindo atenção de críticos e público.
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