- Michael Grade, ex‑chefe da Channel 4 e ex‑presidente da Ofcom, alerta que a indústria de reality shows pode “afundar no esgoto” em busca de audiência, após acusações de abuso no Married at First Sight UK.
- A BBC Panorama revelou que duas participantes de MAFS UK disseram ter sido estupradas pelos maridos na tela e que uma terceira relatou ato sexual não consensual; a Channel 4 abriu uma revisão externa sobre o bem‑estar no programa e a Tui encerrou o patrocínio das versões do Reino Unido, Australia e Estados Unidos.
- Priya Dogra, chefe executiva da Channel 4, disse que os relatos são “muito preocupantes” e pediu desculpas pelas dificuldades das participantes; a emissora afirmou não poder investigar as acusações, afirmando ser apenas uma financiadora, não uma audiência.
- Grade afirmou que há enorme pressão comercial para produzir shows de sucesso, mas é preciso ser criativo para ideias que não coloquem os participantes em risco, citando The Traitors como exemplo de sucesso sem exploração.
- Em carta ao Times, Grade reiterou que a dependência de formatos de reality com participação do público aproxima o entretenimento de uma linha de exploração e pediu cautela ao avaliar novos formatos.
O ex-presidente da Channel 4 e da Ofcom, Michael Grade, afirmou que a indústria da TV está diante de um marco decisivo e não pode se “entornar” em busca de audiência. O alerta foi feito após reportagens sobre acusações de abuso sexual em reality shows, incluindo Married at First Sight (MAFS).
Grade, que comandou a Channel 4 nos anos 80 e 90 e presidiu a Ofcom até o mês passado, disse, em entrevista ao Today, que há uma linha que pode ser cruzada quando o foco é apenas cliques e audiência. Ele destacou a necessidade de responsabilidade na produção de formatos que envolvem participantes.
Investigação e respostas das emissoras
A BBC Panorama revelou que duas mulheres de MAFS UK disseram ter sido violentadas pelos seus esposos na edição televisiva, enquanto uma terceira relatou um ato sexual não consensual. A Channel 4 disse que as denúncias são preocupantes e afirmou que abriu uma revisão externa sobre o bem-estar dos participantes. A patrocinadora Tui encerrou o patrocínio das versões do Reino Unido, Austrália e EUA.
Priya Dogra, CEO da Channel 4, afirmou que a emissora não pode investigar as acusações, pois atua como proponente de conteúdo, não como tribunal. A empresa ressaltou que está avaliando medidas de proteção e bem-estar para participantes, sem assumir julgamento sobre as alegações.
Contexto e recomendações
Grade ressaltou que há pressão comercial para produzir formatos de grande audiência, mas pediu mais criatividade para evitar colocar participantes em risco. Segundo ele, formatos bem-sucedidos podem ser ambiciosos sem degradar ou explorar os envolvidos, citando The Traitors como exemplo de sucesso sem recorrer a conteúdo nocivo.
O ex-gestor também escreveu, em carta ao Times, que a dependência de formatos de reality shows envolve o público e pode aproximar a produção de um abismo entre entretenimento e exploração. Ele sugeriu que as broadcasters adotem proteções abrangentes apenas quando forem realmente necessárias para evitar exploração.
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