- Lena Dunham acusa Adam Driver de agressões verbais e conduta invasiva em cenas, destacando o impacto de sua relação profissional na série Girls.
- Driver não comentou publicamente sobre a influência de Dunham em sua carreira, alimentando relatos de apagamento de mulheres na direção.
- Dados de 2025 indicam recuo de mulheres na direção de grandes produções: 13% entre os 250 filmes de maior bilheteria e 10% entre os 100, com apenas 26 dos 100 filmes recebendo o selo ReFrame Stamp.
- Grupos sub-representados seguem com pouca presença: apenas seis direções de mulheres negras entre os 100 filmes mais vistos, e nenhuma direção de pessoas trans ou não binárias; o avanço geral é discreto.
- Cearas e críticas apontam que a narrativa que descredibiliza mulheres afeta o financiamento e a percepção de diretoras, e que projetos como Barbie destacam que filmes dirigidos por mulheres podem ser tão lucrativos quanto os dirigidos por homens.
O livro Famesick: A Memoir, de Lena Dunham, traz acusações contra o ator Adam Driver, envolvendo episódios de agressão verbal e desconfortos durante a produção da série Girls (2012-2017). Dunham, diretora e roteirista-chefe da produção, descreve situações em que chegou a haver mudanças de falas e momentos de intimidação durante as cenas de sexo.
Driver não comentou publicamente sobre a influência de Dunham em sua carreira. Em Cannes, ele respondeu de forma cautelosa aos questionamentos, mantendo silêncio sobre o tema. Dunham continua a compartilhar detalhes sobre a relação profissional entre as duas figuras, enquanto recebe críticas e apoio nas redes sociais.
Bárbara Demerov, crítica de cinema e votante no Globo de Ouro, afirma que as falas de Driver podem reforçar narrativas que descredibilizam mulheres e reforçam estereótipos. Ela destaca impactos negativos na percepção de diretoras e na obtenção de financiamento para projetos comandados por elas.
Contexto e repercussão no cinema
Cate Blanchett também comentou durante o Festival de Cannes sobre a menor presença de mulheres em equipes de produção. Ela relatou a predominância de homens nos trabalhos diários no set e a pouca diversidade, apontando impacto no ritmo de trabalho e na qualidade das obras.
Dados sobre direção e mercado
Relatórios do Sundance Institute e da Women In Film indicam recuos em 2025 na participação de diretoras em longas de grande bilheteria. A proporção de obras dirigidas por mulheres caiu para 13% entre os 250 top, com 10% entre os 100 melhores. Apenas 26 títulos possuem o selo ReFrame Stamp.
Impacto para produtoras e oportunidades
Profissionais de Hollywood destacam que a presença de direções femininas está associada a maior participação de mulheres em funções-chave nos bastidores. Em 2025, produção com diretoras obtiveram maior controle de equipes, o que pode facilitar projetos com maior orçamento e alcance comercial.
Panorama de representatividade
Leonardo DiCaprio abriu caminho para diretores de gênero diverso, mas a maioria de seus filmes foi dirigida por homens. Críticos ressaltam que, sem apoio de astros atuantes, a mudança na direção de grandes produções pode ser mais lenta, exigindo ações de produtoras lideradas por mulheres.
O que especialistas apontam
O legado do movimento #MeToo e Time’s Up é visto como insuficiente se não houver apoio contínuo de figuras de alto peso na indústria. Demerov e outros especialistas defendem que a mudança requer investimento estável em projetos liderados por mulheres e maior presença de diretoras em estágios decisórios.
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