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Filme sobre polarização política conquista maior prêmio em Cannes

Fjord, drama romeno de Mungiu, leva Palma de Ouro; filme questiona tolerância escandinava e conservadorismo religioso, em Cannes

Segundo o diretor Cristian Mungiu, filme é mensagem sobre tolerância e empatia
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  • O filme Fjord, do romeno Cristian Mungiu, venceu a Palma de Ouro em Cannes, acompanhando uma família evangélica romena que muda para a Noruega e perde a guarda dos filhos após agressões.
  • O Grande Prêmio ficou com Minotaur, de Andrey Zvyagintsev, drama russo que aborda um empresário envolvido na invasão da Ucrânia pela Rússia; o diretor pediu o fim da violência a Vladimir Putin.
  • O prêmio de atuação feminina foi dividido entre Virginie Efira, Tao Okamoto, pelo drama Soudain; o prêmio de atuação masculina foi dividido entre Emmanuel Macchia e Valentin Campagne, por Coward.
  • Cannes 2016? Não — a edição mencionada destaca ausência de grandes estúdios de Hollywood e foco em debates sobre inteligência artificial no cinema e desigualdade de gênero na indústria.
  • Outros destaques incluem prêmios como Ben’Imana (Câmera de Ouro, de Marie-Clementine Dusabejambo), A Man of His Time (melhor roteiro, Emmanuel Marre) e Rehearsals for a Revolution (melhor documentário).

O filme Fjord, dirigido pelo romeno Cristian Mungiu, levou o grande prêmio do Cannes 2026, a Palma de Ouro. A trama acompanha um casal evangélico romeno que se muda para uma vila remota na Noruega e perde a guarda dos filhos após incidentes de punição física. O enredo critica o que o filme chama de tolerância de fachada e questiona valores progressistas da sociedade norueguesa.

A produção de Mungiu, que já venceu a Palma de Ouro em 2007 com Quatro meses, três semanas e dois dias, aborda o suposto progressismo escandinavo sob um prisma conservador. A história é baseada em fatos reais e constrói uma visão ambígua sobre inclusão, empatia e convivência familiar.

Premiações e destaques

O drama russo Minotaur, de Andrey Zvyagintsev, ficou com o Grande Prêmio, segunda honraria do festival. A obra mostra um empresário envolvido na invasão da Ucrânia pela Rússia e recebeu elogios pela direção e pelo olhar crítico sobre a modernidade russa.

A atriz belga Virginie Efira e a japonesa Tao Okamoto dividiram o prêmio de melhor atuação feminina pelo drama Soudain, ambientado em um asilo. Em comum, as performances foram reconhecidas pela delicadeza e intensidade emocional.

Emoutros destaques, Emmanuel Macchia e Valentin Campagne dividiram o prêmio de melhor ator pela produção Coward, de Lukas Dhont, que aborda temas da Primeira Guerra Mundial a partir de um romance homossexual.

Câmera de Ouro ficou com a cineasta ruandesa Marie-Clementine Dusabejambo, por Ben’Imana, um drama sobre genocídio. Ela dedicou o prêmio às mulheres de seu país.

Outros prêmios e contextos

O prêmio de melhor roteiro foi para Emmanuel Marre, por A Man of His Time, que retrata um colaborador de Vichy a partir das vivências de seu bisavô. Rehearsals for a Revolution levou o prêmio de melhor documentário, com registro sobre repressão no Irã.

O filme Elephants in the Fog, o primeiro do Nepal a competir em Cannes, venceu o júri na seção Certain Regard, contando a história da comunidade transgênero no país. O jovem Bradley Fiomona Dembeasset, de Bangui, levou o prêmio de melhor ator em Certain Regard pelo Congo Boy, drama de rap sobre refugiados.

Panorama do festival

Cannes mantém sua tradição de exibir cinema independente, com grandes nomes presentes, como John Travolta, Cate Blanchett e Vin Diesel. Contudo, estúdios de Hollywood ficaram em grande parte ausentes, em alinhamento com temores sobre desempenho de bilheteria.

Discussões recentes em Cannes incluíram o uso de inteligência artificial no cinema e a sub-representação de mulheres na indústria. Apenas cinco dos 22 filmes da competição principal foram dirigidos por mulheres.

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