- O documentário Pompei: Below the Clouds, de Gianfranco Rosi, está disponível no serviço de streaming Mubi desde março; é em preto e branco e sem narração.
- O filme acompanha a região de Nápoles de trem, do entorno da península de Sorrento aos campos flegrei, mostrando lugares pouco visitados sem entrar diretamente em Pompei.
- Em rota, aparecem Villa Oplontis, possivelmente construída para Poppaea Sabina, e Villa Augustea, em Somma Vesuviana, associada à morte de Augusto; as duas mantêm vestígios bem preservados.
- Em Pozzuoli, o Macellum de Pozzuoli evidencia o bradyseísmo, e há cenas das ruínas submersas de Baia, com figuras de mármore no fundo do mar.
- O filme encerra em um cinema abandonado ao longo da linha férrea, projetando trechos de Journey to Italy; a obra sugere que vivemos já dentro da catástrofe e pode ser assistida sem ingresso.
Pompei: Below the Clouds, filme de Gianfranco Rosi, chega ao streaming pela Mubi em março. A obra acompanha uma viagem de trem pela região de Nápoles, do Sorrentine até os Campos Flegrei, sem narração, em preto e branco.
O filme mostra a ideia de trem como máquina do tempo. Rosi mantém a câmera acoplada ao trajeto, sem desembarcar em Pompei ou Herculaneum, explorando a paisagem sísmica e o patrimônio enterrado sob o chão.
O percurso começa pelo Golfo de Nápoles e passa por cidades esquecidas que revelam camadas históricas na arquitetura. O espectador acompanha a sequência de vilas, ruínas e bairros que convivem com Vesuvius.
Villa Oplontis e outras revelações
Ao chegar a Torre Annunziata, o filme destaca uma vila romana atribuída a Poppaea Sabina, esposa de Nero. Villa Oplontis preserva afrescos e colunatas em bom estado, com pouca presença humana no momento da visita.
De lá, avançando para Somma Vesuviana, há imagens da Villa Augustea, antiga residência imperial onde se acredita a morte de Augusto. A obra ressalta que a derrocada não ocorreu apenas com a erupção de 79 d.C., mas em 472 d.C.
A linha Cumana leva a Pozzuoli, cidade com cerca de 75 mil habitantes e portuária ativa. A câmera registra bradyseism, movimento de magma sob a superfície que eleva e rebaixa o terreno, detectado também nas ruínas submersas de Baia.
Conservação, memória e presença local
Entre os extremos do trajeto, o longa acompanha Maria, arqueóloga do Museo Archeologico Nazionale di Napoli, em depósitos onde estão fragmentos de marfim antigo, mármore e torsos. O filme os compara a uma memória que espera retorno ao piso superior.
Ex-votos, pequenas placas de metal com partes do corpo, aparecem como registros de promessas e curas em igrejas e altares. Em Santa Maria Francesca delle Cinque Piaghe, há centenas de ex-votos de grávidas dedicados à santa da fertilidade.
Rosi encerra o filme em uma sala de cinema abandonada ao longo da linha férrea. Nesse espaço, há cenas do Journey to Italy, de Rossellini, projetadas em ruína para unir passado e presente.
Contexto histórico e visita pública
O documentário sugere que a cidade de Nápoles, antiga Neapolis, vive no limiar entre ruínas antigas e a vida contemporânea. Além das obras, o filme é uma visão sensorial do território e de como a história persiste no dia a dia.
Pompei: Below the Clouds foi lançado pela Mubi em março e está disponível para streaming. O material utiliza imagens em preto e branco para enfatizar a atmosfera histórica.
As atrações citadas no texto – Herculaneum, Pompei, Villa Oplontis, Villa Augustea, Baia e o Museo Nazionale – continuam abertos aos visitantes. As linhas Circumvesuviana e Cumana conectam Napoli a esses destinos históricos.
Entre na conversa da comunidade