- All of a Sudden, de Ryusuke Hamaguchi, é um drama de mais de três horas sobre a relação entre uma administradora de saúde francesa e uma dramaturga japonesa, explorando dignidade no cuidado de doentes e idosos; as performances de Virginie Efira e Tao Okamoto foram elogiadas.
- Club Kid, de Jordan Firstman, abriu a seção Un Certain Regard e ganhou destaque como de grande sucesso entre o público; a história acompanha um organizador de festas que descobre ter que cuidar do próprio filho, gerando questionamentos legais e emocionais; a produção resultou em forte concorrência de distribuidoras, com a A24 destacando-se.
- The Devils: The Director’s Cut trouxe a versão completa de O Diabo, clássico de Ken Russell de 1971, com restauração nova e exibição rara na Croisette; a classificação sofreu controvérsia histórica e incluiu a participação de Vanessa Redgrave.
- Fatherland, de Pawel Pawlikowski, é um road movie em preto e branco sobre um escritor famoso que retorna à Alemanha pós-guerra; a atuação de Sandra Hüller foi destacada, em uma narrativa sobre pertencimento e memória.
- Paper Tiger, de James Gray, acompanha um investidor em Nova York nos anos oitenta envolvido com a Máfia russa; o filme, com Miles Teller, Scarlett Johansson e Adam Driver, é um thriller noir que explora o sonho americano e o que vem à tona no mundo do crime.
A-Cannes 2026 chegou ao fim em 23 de maio, encerrando a 79ª edição do festival. A seleção teve desde restaurações de clássicos até estreias que entraram no circuito de premiação, incluindo filmes de diversas nacionalidades e estilos. A repercussão manteve o tom de disputa entre grandes nomes e novidades.
Entre os destaques, figurou uma restauração marcante de um clássico proibido, despertando atenção pelo mergulho histórico e pela dramatização de temas arriscados para a época. A celebração também destacou obras de registro humano sobre cuidado, família e poder criativo.
Outro eixo forte foi o cinema de autor em tom de drama, com narrativas que exploram relações entre criadores e seus elencos, além de retratos de juventudes e identidades. A 79ª edição apresentou ainda documentários e híbridos que dividem críticos e público.
A mostra contou com títulos em competição e em outras seções, como Un Certain Regard. Obras de procedência africana, europeia e latino-americana reforçaram a diversidade de perspectivas e de estilos que o festival privilega.
O festival apresentou também abordagens de gênero e sexualidade, com filmes que discutem club culture, vínculos familiares complexos e tensões sociais, sem abrir mão da qualidade estética. A programação manteve o foco em narrativas intensas.
Na pauta internacional, cineastas consagrados tiveram espaço ao lado de estreantes. As escolhas apontam para uma expectativa contínua de reconhecimento crítico e distribuição mundial, com negociações e criações de novas possibilidades comerciales.
Destaques de programação
- Obras de Ky de autor e de produção europeia, incluindo filmes em competição e clássicos restaurados.
- Debates sobre ética, poder institucional e saúde pública permeiam algumas estreias, já recebendo elogios por performances.
Narrativas em foco
- Histórias de laços familiares sob pressão, cenas de trabalho coletivo em set de filmagem e dilemas morais aparecem como eixo central de várias narrativas.
Economia e impacto
- A cobiçada disputa por direitos de distribuição ganhou fôlego, com estúdios apostando em lançamentos estratégicos para o mercado global. A quinta-feira de estreias manteve o ritmo da temporada de festivais.
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