- “Natal Amargo”, novo filme de Pedro Almodóvar, chega ao circuito brasileiro após exibição em Cannes, onde dividiu a crítica.
- O longa é baseado em uma das histórias do livro de contos O Último Sonho, lançado no Brasil em 2024.
- A trama acompanha Elsa, diretora de cinema que migrou para a publicidade; e Raúl Duran, cineasta em retorno, com dois núcleos que se cruzam por meio de uma ficção que se torna realidade.
- Em 2004, Elsa lida com enxaquecas e crises de ansiedade; Bonifácio, bombeiro que trabalha como stripper, a apoia, enquanto Patrícia é a amiga que a acompanha no campo.
- O filme aborda a relação entre criação artística e vida real, revelando que Raúl usa pessoas e situações de 2004 como base para o roteiro de 2026, em meio a uma autocrítica criativa.
Natal Amargo, novo filme de Pedro Almodóvar, chega ao circuito comercial brasileiro após passagem pelo Festival de Cannes, onde dividiu críticas. A obra é baseada em uma das histórias do livro de contos O Último Sonho (2024). O diretor espanhol permanece como grande nome, mantendo o estilo de crise que marca sua filmografia recente.
A trama acompanha Elsa, diretora de cinema que migrou para a publicidade para financiar projetos anteriores. Enfrenta enxaquecas intensas, crises de ansiedade e a sombra de dois filmes que viraram “cult”. Bonifácio, bombeiro que atua como stripper, é seu parceiro afetivo e apoio no cotidiano.
Paralelamente, Raúl Duran, cineasta em 2026, escreve um roteiro de retorno ao cinema. Divide moradia com o assistente Santi e trabalha com a ex-companheira Mónica. Esses dois núcleos se entrecruzam, pois os protagonistas de 2004 aparecem como personagens no roteiro de Raúl.
Estrutura de criações
O dispositivo central aponta para a criação de ficção a partir de pessoas reais, com Elsa, Bonifácio e Patrícia integrando o material que Raúl desenvolve. A trama de 2004 surge, enquanto 2026 impõe a crise criativa do cineasta.
A relação entre criador e criação é recorrente em Almodóvar. Ao situar Raúl como personagem que se inspira em pessoas vivas, o filme dialoga com a própria prática do diretor, sem precisar explicar tudo de forma explícita.
A estante de livros de Raúl aparece como elemento cenográfico. Entre obras pouco conhecidas, surgem títulos que sugerem conhecimento limitado em cinema, reforçando a ideia de que o personagem não é um grande estudioso da área.
Essa escolha estética sugere que a história de 2004 pode ter maior riqueza que a de 2026, cuja força reside na crise interna do criador. O filme, assim, avança ao combinar drama pessoal com autorreflexão sobre o ofício.
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