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Série do criador de ‘Bebê Rena’ analisa a masculinidade de forma crítica

Minissérie da HBO retrata brutalmente a masculinidade com distância emocional que intensifica o desconforto e a reflexão sobre traumas

Richard Gadd (à esq) e Jamie Bell em cena de 'Pela Metade' ('Half Man'), minissérie da HBO
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  • A minissérie inglesa Half Man, criada por Richard Gadd, chega à HBO Max nesta sexta-feira, 29, com seis episódios.
  • A trama acompanha a relação entre dois homens criados como irmãos, Ruben e Niall, na Escócia dos anos oitenta, envolvendo dependência, humilhação, desejo reprimido e violência.
  • A série é menos acessível que Bebê Rena, mantendo um tom duro, desconfortável e de punição ao espectador, sem catarse.
  • Não há heróis nem vilões: o foco são homens incapazes de entender seus impulsos e a forma como isso contamina tudo ao redor.
  • Em comparação com Bebê Rena, Pela Metade é mais ficcional, mais simbólica e, em certos momentos, devastadora, com uma encenação que privilegia o silêncio e o horror íntimo.

O criador de Bebê Rena, Richard Gadd, estreia na HBO uma série que se propõe a explorar a masculinidade de forma contundente. Intitulada Pela Metade, a minissérie chega ao fim com o sexto episódio, nesta sexta-feira, no HBO Max. A obra é apresentada como ficção, ambientada na Escócia dos anos 1980, e acompanha um vínculo entre dois homens criados como irmãos.

A trama centra Ruben, interpretado por Gadd, e Niall, vivido por Jamie Bell. Ao longo de décadas, o caldo de dependência, humilhação e desejo contido molda as atitudes de ambos e reverbera nos arredores. Não há heróis nem vilões: apenas homens que lutam para entender impulsos que não sabem controlar.

Na comparação com Bebê Rena, Pela Metade repete o subtexto emocional brutal, porém com distância: a série admite a ficção como meio e reforça o uso de silêncios como arma dramática. A leitura aponta um retrato pouco acolhedor da masculinidade como prisão emocional, social e física.

O que muda em relação ao trabalho anterior

Gadd afirma manter o foco em personagens emocionalmente deformados, mas com abordagem distinta: menos autobiográfica, mais simbólica e, em certos momentos, mais fria. A direção preserva a tensão física e o desconforto, mas a narrativa é menos acessível ao público que buscava identificação imediata.

Desempenho técnico e recepção crítica

Jamie Bell entrega uma atuação elogiada, especialmente pela construção de um personagem entre medo e fascínio. A produção aposta em cenas contidas, com violência insinuada que aumenta a sensação de imprevisibilidade. A série, porém, pode soar exaustiva para parte da audiência.

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