- Lucrecia Martel dirige o documentário “Nossa Terra”, sobre a disputa de terras da comunidade Chuschagasta, que levou quase quinze anos para ficar pronto e foi exibido em Veneza.
- O longa é um dos destaques da 15ª Mostra Ecofalante, que ocorre em São Paulo e foca obras de cunho ambiental, com programação de até 104 filmes.
- A produção aborda o episódio de 2009 em que o ativista Javier Chocobar foi morto ao tentar impedir a invasão de terras indígenas, focalizando também o julgamento de um grande proprietário e de dois ex-policiais.
- Martel afirma que o filme busca expor as mentiras da nação argentina sobre comunidades indígenas, sem assumir o ponto de vista de quem governa, observando e percebendo os detalhes do cotidiano.
- A cineasta ressalta que não busca uma verdade absoluta em documentários; o objetivo é apresentar registros e sensações próximas do que observou durante as filmagens.
A cineasta argentina Lucrecia Martel apresentou em São Paulo seu novo documentário, intitulado *Nossa Terra*, na Mostra Ecofalante. O filme aborda a disputa por terras entre comunidades indígenas Chuschagasta e a elite agrária da Argentina. A obra integra a programação gratuita do festival, que estreia hoje na capital paulista com foco em temas ambientais.
Martel, reconhecida por um cinema ficcional intimista, levou quase 15 anos para concluir o longa. Ela disse ter acompanhado de perto o conflito fundiário e resolveu contar a história mesmo sem se sentir plenamente à vontade com o formato documental.
O filme trata, ainda, do episódio de 2009 em que o ativista Javier Chocobar foi assassinado ao tentar impedir a invasão de terras dedicadas aos Chuschagastas. O enredo se debruça, principalmente, sobre o julgamento de um grande proprietário rural e de dois ex-policiais implicados no homicídio.
Contexto e abordagem
Martel afirma ter adotado uma postura cautelosa para não interpretar o ponto de vista de uma comunidade da qual não faz parte. Ela busca, segundo a diretora, expor as “mentiras da nação” sobre comunidades indígenas, desde a perspectiva de quem governa o país. Mesmo assim, destaca que não há busca pela verdade absoluta, apenas uma construção a partir de imagens e observação.
A Mostra Ecofalante reúne 104 filmes com temáticas progressistas, incluindo obras sobre ecologia, feminismo e questões coloniais. Entre as obras em destaque estão Rompendo Rochas, com indicação ao Oscar de melhor documentário, e O Grande Lago Salgado, coproduzido por Leonardo DiCaprio, que aborda uma ameaça ecológica em Utah.
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