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Lucrecia Martel critica visão da Argentina após caso de assassinato

Documentário de Lucrecia Martel expõe racismo estrutural e disputa de terras que resultou no assassinato de líder indígena Diaguita, evidenciando atraso judicial

Lucrecia Martel at the Latin American film festival in Toulouse, France, on 29 March 2026.
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  • Landmarks, o primeiro documentário de Lucrecia Martel, aborda o assassinato de um líder Diaguita, Javier Chocobar, em disputa de terras na comunidade Chuschagasta, Tucumán, em 2009.
  • O crime ocorreu durante conflito entre a comunidade indígena e familiares não indígenas, com vídeo que registra o momento em que o empresário Darío Amín e dois ex-polícias discutem e, em seguida, disparam contra os indígenas. Chocobar morreu e outros ficaram feridos.
  • Martel acompanhou quase nove anos do processo, incluindo 14 dias de audiência, e aponta racismo institucional, incluindo paternalismo e infantilização, na forma como o Estado trata povos indígenas.
  • A diretora afirma que a Argentina precisa abandonar a ideia de ser um país europeu e reconhece que o racismo contra indígenas está ligado à negação de direitos e à invisibilização histórica.
  • Landmarks ganhou o prêmio de best film no festival de Londres no ano anterior e será exibido em Londres, com Martel entregando os direitos da obra à comunidade Chuschagasta após a promoção, segundo a matéria.

Lucrecia Martel lança Landmarks, documentário que investiga a morte de um líder indígena em disputa territorial na Argentina. O filme mostra como o racismo, o paternalismo e a infantilização afetam comunidades indígenas no país. A obra toma como foco o caso ocorrido em 2009.

A história central acompanha Javier Chocobar, líder Diaguita da comunidade Chuschagasta, em Tucumán, morto aos 68 anos dentro de seu território em 12 de outubro de 2009. O registro audiovisual foi feito por Darío Amín, empresário de mineração acusado, acompanhado por dois ex-polícias.

A obra se ancora em uma sequência de inquéritos que perduraram quase nove anos até o início do julgamento. A equipe de Martel acompanhou as 14 sessões de audiência e documentou relatos de racismo presentes no tribunal, especialmente em relação à legitimidade das terras e dos ativos indígenas.

Contexto histórico

O documentário aponta a invisibilização de comunidades indígenas na educação e na política pública argentina. Segundo a diretora, indígenas representam cerca de 3% da população conforme o censo de 2022, e há uma percepção de Argentina como nação europeia, desconectada da realidade regional.

Desdobramentos judiciais

O trio acusado foi condenado ao longo do tempo: Amín faleceu em 2021 por covid-19; os dois policiais, Gómez e Valdivieso, permaneceram presos após novas ordens de tribunais superiores, até o fim de 2023. A promotoria destacou o envolvimento de interesses comerciais na violência.

Sobre o filme

Landmarks foi desenvolvido durante cerca de 15 anos, com Martel dizendo que o trabalho ultrapassa o caso de Chuschagasta para discutir um conflito histórico de usurpação de terras. A diretora afirma que a produção não se dirige a um único grupo, mas a uma questão nacional de direitos territoriais.

Já em estágio de promoção, o filme tem estreia em Bertha DocHouse, em Londres, anunciada para 29 de maio. A distribuidora planeja a continuidade de diálogos sobre direitos indígenas no cinema argentino.

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