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Nanini e Weber reencontram química cênica em espetáculo de Beckett

Nanini e Weber reencenam química cênica em Beckett, com leitura metateatral de Portella; temporada paulistana encerra em 31 de maio e segue para Brasília

Guilherme Weber e Marco Nanini na montagem dirigida por Rodrigo Portella - Annelize Tozetto / Divulgação
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  • Nova montagem de Fim de Partida, dirigida por Rodrigo Portella, revisita Beckett com uma leitura contemporânea metateatral.
  • Elenco principal: Guilherme Weber como Clov, Marco Nanini como Hamm, com Helena Ignez (Nell) e Ary França (Nagg).
  • A encenação trabalha três camadas de sentido: relação Hamm e Clov, alegoria política sobre autoritarismo e uma dimensão metateatral sobre o fazer teatral.
  • A ideia de “palco dentro do palco” se realiza por uma caixa cênica retangular que delimita e expõe o gesto teatral, com apoio de iluminação, figurino e trilha.
  • A temporada paulistana vai até 31 de maio; a montagem segue para Brasília, na Caixa Cultural, de 6 a 21 de junho.

A montagem de Fim de Partida, dirigida por Rodrigo Portella, revisita o clássico de Beckett com leitura contemporânea e afiada. Guilherme Weber e Marco Nanini voltam a dividir o palco, em parceria que já marcou o cinema e o teatro brasileiro.

O elenco ainda tem Helena Ignez como Nell e Ary França como Nagg. Weber encarna Clov e Nanini, Hamm, fortalecem a química cênica que consolida o eixo central da peça. A encenação ressalta a relação entre os dois personagens pela via da frieza dramática.

A leitura de Portella tem três camadas: a relação Hamm-Clov, uma alegoria sobre autoritarismo e uma dimensão metateatral que questiona o fazer artístico. A terceira camada guia a encenação e a cenografia de Daniela Thomas.

Weber constrói um Clov que oscila entre o clown e a angústia do servo. A presença de Nanini reforça a dependência entre os dois, com sutilezas que dão peso à relação central da troca de olhares e gestos.

Helena Ignez traz a força de uma trajetória do cinema marginal para Nell, enquanto Ary França já havia trabalhado com Nanini em projetos premiados. O reencontro de trajetórias acrescenta uma camada de memória ao espetáculo.

A direção recebe contribuições técnicas que ajudam a sustentar o ritmo. Iluminação de Beto Bruel delimita o espaço, o figurino de Antonio Guedes sugere a aridez beckettiana e a trilha de Federico Puppi acompanha os momentos de tensão.

A temporada de São Paulo encerra em 31 de maio. Em seguida, a montagem embarca para Brasília, com apresentações na Caixa Cultural de 6 a 21 de junho, em temporada curta.

Três perguntas para Guilherme Weber destacam a retomada da parceria com Nanini após 20 anos, o aprendizado rítmico trazido pela direção e a visão sobre o que Fim de Partida diz sobre o teatro atual, quase sete décadas após a estreia.

Notas de produção indicam que a encenação convida o público a observar o próprio ato teatral, reafirmando que o palco, dentro do palco, é parte essencial da experiência.

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