- A África do Sul está de volta à Copa do Mundo da FIFA, sendo a quarta participação após 1998, 2002 e 2010.
- Em 2010 a África do Sul sediou a Copa, a primeira e única realizada no continente africano até hoje.
- A vaga para a Copa foi assegurada com o técnico belga Hugo Bross, após superar Nigéria e Benin nas Eliminatórias da CAF.
- O texto traça paralelo entre a história do cinema sul-africano e o país, marcada pelo fim do apartheid e pelo fortalecimento de produções que refletem a realidade negra.
- Como referência cinematográfica, destaca o filme Os Iniciados (2017), de John Trengove, que aborda o ritual de circuncisão e a tensão queer presente na sociedade Xhosa.
A África do Sul retorna à Copa do Mundo da FIFA, marcando a quarta participação desde a primeira qualificação, em 1998, seguindo também por 2002 e 2010. A campanha foi conduzida pelo técnico belga Hugo Broos, que guiou a equipe a uma vaga pela melhor campanha em um grupo competitivo da CAF, superando Nigéria e Benin.
A comparação entre a história do futebol sul-africano e o cinema do país revela paralelos marcantes. Ambos os temas nasceram sob o regime do apartheid, que moldou momentos distintos na realidade nacional ao longo de décadas.
Antes do fim do apartheid, a produção cinematográfica era controlada por produtores brancos, com recursos estrangeiros, resultando em obras que não questionavam o regime e reforçavam estereótipos sobre a população negra. Nesse período destacam-se produções como a comédia Os Deuses Devem Estar Loucos (1980).
Com o fim do apartheid e a ascensão de Nelson Mandela, surgem mudanças estruturais no cinema. A criação da National Film and Video Foundation e de órgãos de fomento ao cinema negro ampliam o alcance internacional da produção sul-africana, mantendo o foco nas vivências da maioria negra.
Filmes como Yesterday (2004) e Tsotsi (2005) marcaram a transição, com indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; este último venceu a categoria, sob o título Infância Roubada no Brasil. Além disso, o cinema de Neill Blomkamp ganhou reconhecimento global com Distrito 9 (2009).
Para representar a África do Sul na Copa do Cinema, o filme Os Iniciados, de 2017, figura como referência. Dirigido por John Trengove, aborda o ritual de passagem Ukwaluka, praticado pelo povo Xhosa, com foco na circuncisão sem anestesia e no isolamento para a formação de homens segundo uma visão heteronormativa.
A narrativa acompanha Xolani, personagem vivido por Nakhane Touré, e expõe a tensão entre a homossexualidade e as tradições, destacando a repressão vivida por quem foge ao modelo de virilidade imposto pela comunidade. A direção utiliza câmera em mão e planos fechados para retratar a violência psicológica, o suor, o sangue e a poeira que cercam o rito.
O filme tem sido analisado pela crítica por sua sensibilidade e por abordar temas complexos dentro de uma paisagem natural imponente, transformando-a em cenário de conflito pessoal e social. O contexto histórico sul-africano, ligado ao esporte e ao cinema, reforça a ideia de que cultura e identidade do país evoluíram de maneiras entrelaçadas.
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