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Peça Edson revisa assassinato de jovem pela ótica do racismo da ditadura militar

Peça revisita assassinato de Edson Luís, símbolo da repressão racial e política sob a ditadura, ampliando o debate sobre memória e resistência

Homem de pele morena veste roupa preta e armadura metálica nos braços, com uma das mãos levantada. Usa chapéu preto com formato pontiagudo contra fundo amarelo.
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  • Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, foi morto pela Polícia Militar durante um protesto num restaurante no Rio de Janeiro em março de mil novecentos e sessenta e oito.
  • A morte dele foi o pivô da Passeata dos Cem Mil, realizada em junho de mil novecentos e sessenta e oito, durante o regime militar.
  • A peça Edson, escrita, dirigida e encenada por Matheus Macena, está em cartaz no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e reconta a vida do jovem, não apenas o assassinato.
  • Como base de criação, o espetáculo utiliza documentos da Biblioteca Nacional e recorre à ficção para preencher lacunas históricas, destacando o racismo da ditadura militar.
  • O espetáculo mescla música, dança e humor, encerrando com uma cena em que uma manta metálica inflável envolve o corpo do ator, simbolizando a tragédia que retorna ao presente.

Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, foi morto pela Polícia Militar durante um protesto num restaurante no Rio de Janeiro, em março de 1968. A morte ajudou a consolidar a Passeata dos Cem Mil, ainda que a vida do jovem tenha ficado pouco registrada. O episódio ocorre no contexto da ditadura militar.

A peça Edson, criada e encenada por Matheus Macena, reconstitui o caso a partir de uma visão que ressalta o racismo institucional da época. O espetáculo está em cartaz no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, e fica em cartaz até o final da semana.

Macena afirma que a história de Edson abre espaço para discutir realidades menos retratadas na memória histórica do regime. O foco passa a ser a trajetória do jovem, não apenas o seu assassinato.

O espetáculo mescla ficção com documentos da Biblioteca Nacional, deixando lacunas do período para trás e preenchendo-as com dramatização. A montagem também incorpora canções nacionais e guitarras distorcidas para costurar a dramaturgia.

No palco, a produção destaca a dimensão humana de Edson e o papel da mobilização estudantil. O uso de humor surge como ferramenta para aproximar o público de uma narrativa pesada, sem oferecer fuga da gravidade dos fatos.

A encenação encerra com uma imagem simbólica: Edson Luís estende uma manta metálica que se transforma num balão inflado, sugerindo a eliminação do corpo e o retorno da sua história ao presente.

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