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Ugo Giorgetti diz que todo documentário é ficção em debate sobre Dines

Giorgetti sustenta que todo documentário é ficção, em debate sobre Alberto Dines; filme foi inteiramente gravado com iPhone

O cineasta brasileiro Ugo Giorgetti durante mesa na Feira do Livro, em São Paulo
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  • O documentário “Alberto Dines – Vínculos de Liberdade”, de Ugo Giorgetti, reúne entrevistas, depoimentos e materiais de arquivo para reconstruir a trajetória do jornalista.
  • Giorgetti sustenta que todo filme é ficção e que a realidade chega ao público transformada pelas escolhas do diretor, pela montagem e pela linguagem utilizada.
  • O filme não pretende apresentar uma verdade definitiva sobre Dines; ele oferece uma leitura possível de sua atuação no jornalismo brasileiro.
  • A montagem não segue uma linha do tempo rígida; o retrato é construído a partir de relatos de colegas e da longa entrevista de Dines ao Museu da Pessoa.
  • O debate de lançamento, na abertura do Cineastas de São Paulo, enfatizou a relação entre cinema, história e memória na visão do diretor.

No Espaço Petrobras de Cinema, em São Paulo, o documentário Alberto Dines – Vínculos de Liberdade trouxe à tona um debate sobre o que é real na tela. O filme, dirigido por Ugo Giorgetti, foi lançado neste ano e exibido durante o Festival Cineastas de São Paulo, com apoio da Folha. O ambiente da sala reuniu arquivos, objetos e depoimentos para reconstruir a trajetória do jornalista.

A obra mescla entrevistas de arquivo, depoimentos de colegas e testemunhos de Dines. Entre os momentos abordados estão a capa histórica sem manchete do Jornal do Brasil sobre o golpe no Chile de 1973 e a criação da coluna Jornal dos Jornais na Folha, marco da crítica midiática no país. Norma Couri, viúva de Dines, participa dos relatos na montagem final do documentário.

Ao abrir o debate, o crítico Inácio Araujo ressaltou a visão singular de Giorgetti no cinema brasileiro, destacando que a filmografia do cineasta não se encaixa facilmente em padrões como o cinema novo ou o cinema marginal. Segundo o crítico, o enfoque está nos ambientes, nos gestos do cotidiano e nas mudanças da cidade.

A defesa da ficção como ferramenta histórica

Giorgetti defendeu a ideia de que documentário e ficção compartilham um mesmo gesto narrativo, afirmando que a realidade filmada chega ao público transformada pela edição e pela direção. O diretor explicou que, a partir dos depoimentos de Dines, sentiu que não havia necessidade de seguir apenas uma linha cronológica rígida.

Ainda sem apresentar uma verdade definitiva, o cineasta ressaltou que nenhum documentário entrega a verdade plena sobre uma pessoa. Em sua visão, a ficção pode oferecer maneiras de compreender a história com detalhes que nem sempre aparecem em registros oficiais ou pesquisas.

Para sustentar o argumento, Giorgetti citou autores franceses como Balzac, Zola e Proust, defendendo que suas obras permitem entender sociedades de época com riqueza de detalhes que extrapolam documentos. O filme, com duração aproximada de uma hora, se constrói assim, a partir de depoimentos, imagens de arquivo e narração.

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