- Diretor Pedro Neschling aposta no despojamento da produção, com foco na atuação de Nívea Maria e Regiane Alves na montagem de Querida Mamãe, em cartaz no Rio de Janeiro.
- O texto de Maria Adelaide Amaral, escrito na década de noventa, desconstrói a ideia de maternidade ideal e mostra um embate sufocante entre mãe e filha, buscando identidade e liberdade afetiva dentro do lar.
- A encenação utiliza um cenário compacto e iluminação para acompanhar os batimentos cardíacos das personagens, ressaltando a tensão emocional do enredo.
- As duas atrizes, conhecidas pela televisão, trazem empatia imediata do público ao drama; Nívea interpreta a matriarca endurecida, enquanto Regiane encarna a mulher dividida entre passado e futuro.
- A peça atualiza o confronto entre tradição e ruptura, destacando tensões familiares e perguntas sobre pertencimento e autorrealização dentro da casa.
Duas atrizes, Nívea Maria e Regiane Alves, estreadas no Rio de Janeiro na peça Querida Mamãe, trazem a relação entre mãe e filha para o centro do palco. A encenação, com direção de Pedro Neschling, aposta pelo despojamento e pela crueza da atuação. O espetáculo coloca em foco as tensões entre gerações em um apartamento menor que o peso das angústias.
O texto, escrito por Maria Adelaide Amaral na década de 1990, rompe com clichês da maternidade sagrada e expõe o afeto em tom sufocante. A obra mostra a derrocada de um mundo ideológico da mãe diante da vontade de liberdade da filha, que busca entender sua própria identidade e a sexualidade. O confronto é apresentado como manifesto por identidade e autonomia dentro de casa.
A encenação reduz o aparato cênico para privilegiar as atuações. O cenário funciona como cápsula psicológica, com cortes de luz que marcam os batimentos das personagens e alternam nostalgia com confronto presente. O foco está no trabalho das artistas, sem excesos de cenografia.
Elenco e direção
Nívea Maria e Regiane Alves trazem reconhecida proximidade com o público ao longo de suas carreiras. A dupla aproveita a empatia imediata para sustentar o drama. Nívea desconstrói a imagem de matriarca dócil, enquanto Regiane interpreta uma mulher que lida com o peso do passado e a urgência de um futuro próprio.
O texto de Amaral, em conjunto com a leitura de Neschling, revela uma aposta por frescor contemporâneo ao material. O diretor jovem, segundo críticos, ajuda a encarar a peça com menos ornamentos e mais foco na veracidade da relação entre as personagens. A montagem busca traduzir a crueza das emoções para o público atual.
Perguntas para Nívea Maria
Quais são os desafios de aproximar o público habitual da televisão da dramaturgia ao vivo do teatro? A atriz aponta para a verdade narrativa como elemento central, com retorno imediato do público ao longo da apresentação, e destaca a importância de encenar uma história que trate de relações humanas sem romantismos.
Como tem sido o diálogo com o diretor para alcançar esse caminho mais direto? A entrevistada elenca o valor de resgatar um texto de alta qualidade, a contribuição do diretor e a participação de Regiane Alves para o equilíbrio entre a maternidade e a autonomia da personagem.
Qual o impacto de trazer memórias da sua própria carreira para uma obra de forte carga realista? Nívea enfatiza a experiência de 62 anos na atuação como sustentação, destacando o papel de representar a cultura nacional ao levar ao público o melhor do texto, da direção e das artes performativas.
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