- O Mez da Grippe, de William Biagioli, inspira-se no livro de Valêncio Xavier para reconstruir, com imagens atuais em preto e branco, a época da Gripe Espanhola e sua relação com a Covid-19, em Curitiba, durante o festival Olhar de Cinema.
- Histórias de um Bom Vale, de José Luis Guerin, registra moradores de Vallbona, nos arredores de Barcelona, e mostra como a vida dos trabalhadores é impactada por obras e restrições, com foco em redes de poder e espaços públicos.
- Em Construção, documentário de Guerin sobre a demolição de um bairro de Barcelona para dar lugar a moradias, é lembrado pela sua abordagem de ouvir moradores e trabalhadores da obra, com diálogos marcantes.
- Um Calendário Incompleto, de Sanaz Sohrabi, revela um vinil de 1980 ligado à OPEP e analisa o petróleo como ferramenta de desenvolvimento, conectando pan-arabismo, nacionalização de Mossadegh e intervenções imperialistas.
- A Noite e os Dias de Miguel Burnier, de João Dumans, acompanha a comunidade de Miguel Burnier, em Ouro Preto, e mostra impactos da mineração na vida local e no meio ambiente, em tom observacional.
O Mez da Gripe aparece como peça central na seção Novos Olhares do festival Olhar de Cinema. O longa de William Biagioli dialoga com o livro homônimo de Valêncio Xavier, fundando um painel que cruza imagens de jornal antigo com material contemporâneo sobre a gripe de 1918. A produção escolhe tom de distanciamento e humor seco.
A narrativa acompanha um professor que pesquisa a epidemia histórica e levanta dúvidas sobre a importância do seu trabalho. O filme utiliza arquivos em preto e branco mesclados a cenas atuais, conectando passado e presente e evocando outras pandemias, como a Covid-19.
Histórias de um Bom Vale, de José Luis Guerin, acompanha a vida de trabalhadores em Vallbona, nos arredores de Barcelona, com foco em restrições e mudanças provocadas por obras e políticas locais. O documentalista retrata a população comum e seus dilemas cotidianos.
Outro título relevante é Em Construção, também de Guerin, que registra a demolição de El Chino para Nova Moradia em Barcelona. O documentário mostra entrevistas com moradores e operários, evidenciando tensões entre projeto urbano e realidades populares.
Um Calendário Incompleto, da iraniana Sanaz Sohrabi, revela um vinil de 1980 ligado à OPEP. A obra examina o petróleo como ferramenta de desenvolvimento e associa o tema a movimentos como pan-arabismo, nacionalização de recursos e contextos históricos de 1950 a 1970.
O filme traz ainda referência a Mohammed Mossadegh e aos golpes que moldaram a economia regional, destacando a intervenção de potências estrangeiras. A produção aborda também o papel das grandes petrolíferas na geopolítica mundial.
A Noite e os Dias de Miguel Burnier, de João Dumans, acompanha a comunidade de Miguel Burnier, em Ouro Preto, e as consequências da mineração na vida local. O documentário enfoca mudanças ambientais e sociais provocadas pela presença de mineradoras.
Dumans, que já realizou Arábia, volta a explorar o trabalho precário no Brasil em abordagem observacional. O conjunto de obras do cineasta italiano-Afro-brasileiro reforça a crítica aos impactos da mineração em Minas Gerais e em regiões industriais.
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