- Reparação, de Marcus Curvelo, é a estreia na direção de longas do baiano e utiliza autoficção, com o diretor presente na maior parte das cenas e no papel de filho ao acompanhar a doença e a morte da mãe; o filme é um luto contado em preto e branco.
- A obra mostra um processo de luto que foge do convencional, combinando momentos de dor com abordagens criativas que permitem ao público acompanhar a passagem do tempo e a memória.
- Adulto/Homem, de Pedro Diógenes, é um plano-sequência de 70 minutos que apresenta vinte rostos masculinos com a câmera movendo-se milímetro por milímetro da direita para a esquerda; vozes em off relatam experiências de testes, nem sempre correspondendo aos rostos vistos.
- O filme utiliza um recurso de vozes que não necessariamente correspondem aos rostos, incluindo a voz de Demick Lopes sem mostrar seu rosto, para explorar a subjetividade dos intérpretes.
- Depoimentos sobre a carreira, finanças e futuro dos atores aparecem entre textos literários repetidos por vozes diferentes, criando um fluxo de consciência que leva o espectador a formar diferentes interpretações.
Dois lançamentos brasileiros chamaram atenção no ciclo Olhar 2026: Reparação, de Marcus Curvelo, e Adulto/Homem, de Pedro Diógenes. Ambos exploram a experiência de pessoas em situações de vulnerabilidade e de criação, cada um com linguagem distinta. Os filmes foram apresentados em Curitiba, em uma mostra dedicada a novas obras nacionais.
Reparação
Em longas de estreia, Marcus Curvelo faz autoficção ao acompanhar a doença e a morte de sua mãe. O filme, em preto e branco, coloca o diretor como protagonista e filho, revelando o processo de luto de forma não convencional. A construção se baseia no tempo e na dor, sem aceleramento da perda.
A obra propõe uma experiência sensorial, convivendo com a dor sem afastar a criação. A narrativa enfatiza a passagem do tempo e a convivência com a ausência, buscando uma experiência de luto que não se encerra rapidamente. A estética busca intimidade com o espectador.
Adulto/Homem
Pedro Diógenes inova ao transformar relatos de atores em um plano-sequência de 70 minutos. O filme acompanha 20 rostos masculinos, com a câmera movendo-se lentamente pela frente. Vozes em off descrevem testes e experiências, com vozes que às vezes não correspondem aos rostos.
Depoimentos destacam o peso da profissão, inseguranças financeiras e dúvidas sobre o futuro. Textos literários são entremeados, repetidos por diferentes vozes, reforçando a ideia de subjetividade única de cada falante. A montagem remete a experimentos de Abbas Kiarostami, mantendo o foco na expressão facial.
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