- Mais de oitenta roteiristas criaram uma resposta de guerrilha artística aos arquivos Epstein, sob direção de Lucy Morrison, Hannah Hauer-King, Madeleine Kludge e Tessa Walker, em Londres.
- O evento ocorre em quinze espaços da Theatre Deli, incluindo áreas fechadas e abertas, com performances curtas, instalações e o núcleo central, All the Rage.
- Destaques incluem roupas bordadas com relatos de abuso e páginas dos arquivos Epstein, além de referências repetidas a Prince Andrew, em ambiente imersivo.
- A produção busca unir arte, teatro e ativismo para expor abusos contra mulheres, remetendo ao movimento #MeToo e às falhas institucionais discutidas no material.
- A mostra fica em cartaz até 13 de junho, em londres, oferecendo relatos de trauma vivido e um chamado para que as histórias sejam contadas.
Um grupo de mais de 80 escritores lançou uma resposta criativa ao caso Epstein, reunindo-se quatro meses atrás após a divulgação dos arquivos. A ideia começou em um grupo de WhatsApp de dramaturgos, mobilizando obras que mostram o impacto do trabalho do criminoso sobre meninas e mulheres. A mobilização ocorreu no contexto de críticas pela pouca atenção dada ao tema.
A produção, liderada por Lucy Morrison e com Hannah Hauer-King, Madeleine Kludge e Tessa Walker, acontece em 15 espaços dentro de um espaço de escritório em Londres, ocupado pela Theatre Deli. A obra combina teatro, instalação e atuação em tempo real, numa experiência que ocupa desde o piso até o teto do local.
Estrutura e formato da experiência
Ao entrar, o público encontra graffiti nas paredes e no piso, com textos, poemas e cenas teatrais. O projeto funciona como uma intervenção de guerrilha artística que mescla performances curtas com instalações, em um circuito de várias salas. A curadoria descreve o conjunto como exposição de arte que incorpora teatro e ativismo.
A narrativa envolve o que é descrito como uma sequência de performances que, juntas, comunicam horror, choque e incredulidade sobre os casos de Epstein e abusos masculinos amplos. A peça central, intitulada All the Rage, agrega textos de todos os autores envolvidos no projeto.
Destaques e elementos marcantes
Entre as obras destacadas está uma fileira de roupas com mensagens bordadas, que trazem trechos dos arquivos de Epstein e relatos de abusos. O conjunto é resultado de uma criação de Jenifer Toksvig e inclui páginas dos arquivos em bolsos das peças, gerando impacto visual intenso.
Referências ao príncipe Andrew aparecem com frequência, incluindo cenas em que um personagem é retratado em posições degradantes. Em diálogos coletivos, há lembranças de adolescentes que vivenciaram abusos no ambiente de Epstein, com relatos de exploração.
Abordagem imersiva e contexto histórico
Outra sala, chamada Witch Room, utiliza páginas dos arquivos para discutir a figura da bruxaria no contexto de defesa legal. A sala oferece recursos para que o público participe de rituais simplificados com itens fornecidos.
Elementos imersivos incluem uma reprodução de um quarto de adolescente em tamanho real, com cartas, diário e teste de gravidez. A montagem busca capturar a passagem entre a infância e a idade adulta sob a influência de Epstein, com atenção aos detalhes cenográficos.
Propósito e repercussão
A montagem enfatiza a necessidade de contar histórias de abuso sexual para além de casos específicos, articulando uma resposta coletiva ao silêncio persistente. Trechos de performances destacam como testemunhos de trauma vivido podem mobilizar ações e debates públicos.
A experiência está em cartaz no Theatre Deli, em Londres, e permanece em cartaz até 13 de junho. O projeto prioriza a linguagem direta, a pesquisa documental e a diversidade de vozes para ampliar o entendimento sobre violência contra mulheres.
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