- O filme “Nuremberg” (2025), de James Vanderbilt, com Rami Malek e Russel Crowe, mostra o Julgamento de Nuremberg, com Malek como psiquiatra que avalia prisioneiros antes do processo e dialoga com Hermann Göring.
- O objetivo do enredo é entender a diferença entre a maldade que move os nazistas e o comportamento humano em situações extremas.
- Dados históricos citados: nos últimos três milelleres anos, apenas 268 anos foram de paz; hoje há cerca de 11 guerras em curso e 100 conflitos armados no mundo.
- Referências a genocídios: Neandertais, Cartago na Terceira Guerra Púnica (século I a.C.) e, na era moderna, seis milhões de judeus assassinados na Segunda Guerra Mundial; também é mencionada a política de Netanyahu na Faixa de Gaza, com estimativas de 70 mil a 80 mil habitantes e cerca de 1.500 mortes em 2023.
- O filme encerra com a ideia de que os homens são iguais, movidos pelo ódio, e citações de Collingwood e Rousseau sobre a barbárie e o Contrato Social.
O filme Nuremberg (2025), dirigido por James Vanderbilt, coloca Rami Malek no papel de um médico psiquiatra recrutado pelo Exército Americano para avaliar e custodiar prisioneiros antes do julgamento, buscando evitar suicídios. A narrativa acompanha o encontro dele com oficiais do 3º Reich, incluindo Hermann Göring, interpretado por Russell Crowe, figura central da trama nazista.
Malek atua como personagem que tenta discernir o que diferencia a maldade humana entre nazistas e demais indivíduos, enquanto trabalha na proteção de prisioneiros durante o julgamento. O enredo foca na tensão entre dever profissional e a complexidade moral vigente no período.
O filme insere ainda referências históricas sobre conflitos milenares. A produção cita o estudo de Chris Hedges que aponta poucos períodos de paz ao longo de 3.4 mil anos, com dezenas de guerras ativas no mundo atual. O texto histórico traça grandes exemplos de conflitos, incluindo ações de Cartago contra Roma e as consequências da Segunda Guerra Mundial.
Na abordagem ficcional, o Dr. Douglas Kelly, papel de Malek, conclui que o ódio molda comportamentos, sugerindo repetição de padrões em diferentes contextos. A obra utiliza o Julgamento de Nuremberg como ponto de partida para discutir a potencial repetição de erros humanos em outras nações.
O roteiro dialoga com referências de filosofia e história, mencionando o final do filme de modo a refletir sobre a natureza humana sem oferecer julgamento explícito ao leitor. A obra cita pensadores como Collingwood e Rousseau para discutir limites éticos e estruturas sociais.
Avisos históricos aparecem ao longo da narrativa, conectando o passado a debates contemporâneos sobre violência, poder e responsabilidades coletivas. O filme propõe uma leitura crítica sobre as escolhas humanas em situações extremas, sem respostas prontas.
O material base do filme e dos ensaios ligados à produção aborda a responsabilidade de atores, diretores e historiadores ao lidar com episódios traumáticos da humanidade. O tema central permanece a avaliação do que move homens capazes de ações extremas.
Ricardo Guedes é crítico convidado, com formação em ciências políticas pela Universidade de Chicago, e autor de obras sobre economia, guerra e pandemia. O texto reforça a busca por compreender os mecanismos da violência sem oferecer soluções fáceis.
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